Estado discute volta de Itaquá à fase vermelha de restrição

A Prefeitura de Itaquaquecetuba criticou ontem a possibilidade inédita na região proposta pelo Centro de Contingência do Coronavírus do Estado em retroceder a classificação do município à fase vermelha, com restrição total para abertura do comércio. Atualmente a cidade, assim como todo o Alto Tietê, está na fase laranja, com abertura gradual das lojas, mas caso o retorno da restrição ocorra, o município pode levar toda a região de volta à fase vermelha.

Segundo informações do Executivo municipal, o critério utilizado pelo Estado, com base na ocupação dos leitos da Unidade de terapia Intensiva (UTI), não compete às responsabilidades municipais, mas sim estaduais. Propostas como esta não tinham sido discutidas no Alto Tietê, já que a região era avaliada de forma integral pelo Plano São Paulo, e não fragmentada por cidades. Até ontem, o Estado havia afirmado que Itaquá está com 80% dos leitos de UTIs ocupados, quando o aceito é menos de 70%.

A administração municipal colocou em funcionamento no dia 16 do mês passado o hospital de campanha localizado na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Caiuby e a ocupação atual dos leitos está em 15%. Ainda no mês abril a Prefeitura solicitou ao governo do estado mais dez respiradores, que ainda não foram entregues.

"A abertura e ampliação dos leitos de UTI são de responsabilidade total do Estado de São Paulo, e não foram executadas até o presente momento. Por este motivo, a cidade não pode sofrer tal retrocesso no Plano São Paulo, já que o Executivo não assume responsabilidades do Estado", criticou a prefeitura na noite de ontem.

Além disso, o município reiterou que, até ontem existiam, cinco leitos com monitores multiparâmetro e bombas de infusão desocupadas, as quais não foram mencionadas no levantamento. "Cabe destacar, inclusive, que o governo do Estado de São Paulo não cumpriu com nenhum dos prazos com o qual se comprometeu com o Alto Tietê", pontuou.

O apontamento da Prefeitura se deu quando a administração relembrou que o Hospital das Clínicas de Suzano e o Hospital Regional Doutor Osíris Florindo Coelho, de Ferraz de Vasconcelos, ainda não receberam ampliação de leitos de UTI. "Compreendemos a dificuldade do Estado, porém se torna autoexplicativa a dificuldade de um município extremamente carente assumir uma obrigação que nem o próprio governo consegue arcar", finalizou.

Em nota, o Palácio dos Bandeirantes se manifestou explicando que o Plano São Paulo prevê o faseamento regionalizado, permitindo a intensificação das medidas de isolamento social. "A regressão de fase ocorre de acordo com os indicadores medidos pelo período de sete dias em relação à semana anterior. As medidas tomadas são fundamentadas em ocupação hospitalar e evolução da doença, como é o caso de Itaquaquecetuba", justificou. O anúncio oficial de reclassificação de fases do Plano São Paulo deverá ser anunciado hoje, em coletiva.

Condemat

O Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) afirmou que não havia recebido, até a noite de ontem, nenhum informação do Estado sobre o retrocesso de flexibilização de Itaquá.