Comportamento das crianças pede atenção

A rotina do distanciamento social, primordial para evitar a propagação do coronavírus, pode evidenciar os problemas e dificuldades comportamentais das crianças. Há mais de três meses, os pequenos deixaram de ter aulas presenciais, brincar em parques de maneira frequente e se relacionar com os amigos. A necessidade de ficar em casa durante todo o dia torna os problemas já existentes ainda mais visíveis aos pais.

Foi o que explicou o psicólogo, pesquisador e professor do curso de Psicologia do Centro Universitário Braz Cubas, David Sergio Hornblas, quando pontuou que algumas famílias podem identificar mais impasses no cotidiano dos filhos. "Enquanto isso, pais que sempre tiveram atitudes afetivas e compreensivas podem aprender a lidar melhor com as dificuldades dos filhos, já que estão mais próximos deles na quarentena", disse.

Para o psicólogo, é comum que alguns pais acreditem que seus filhos adquiriram adversidades durante a quarentena, quando os dilemas podem ser mais antigos. "No cotidiano vivenciado antes da pandemia, pais e filhos não passavam muito tempo juntos. Isso fazia com que os comportamentos não fossem notados em sua totalidade e gravidade", acrescentou.

A diferença entre as percepções dos familiares em relação ao comportamento dos filhos se deve também às distinções entre a maneira de viver entre eles. As famílias que antes já não conseguiam entender e lidar com os problemas das crianças, podem encontrar ainda mais dificuldade com a pandemia.

"Isso acontece geralmente com pais tóxicos, isto é, aqueles cujo funcionamento familiar já era problemático e pouco afetivo antes da pandemia. As crianças não são escutadas e compreendidas, sendo consideradas como pequenos adultos pelos pais", finalizou. (T.M.)