Estado descumpre prazo e HC de Suzano segue sem atender

Pela segunda vez consecutiva em duas semanas, a promessa do Estado de abrir dez leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e 30 de clínica médica no Hospital das Clínicas (HC) de Suzano, localizado na Vila Amorim, para combater o coronavírus (Covid-19) na região, não se cumpriu. O novo prazo havia sido estipulado na segunda-feira passada pelo governo paulista, mas, uma vez mais, o acordo não saiu do papel e a abertura das vagas segue no planos das ideias.

O prazo original, segundo um entendimento entre o próprio governo, mais o Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) e o Ministério Público Federal (MPF), realizado em 19 de maio, fixava em 30 de junho a abertura das vagas, quando também seriam disponibilizados 60 leitos: metade de UTI e metade de clínica médica para o Hospital Doutor Arnaldo Pezzuti, em Jundiapeba, Mogi das Cruzes.

Sobre a unidade de Suzano, a assessoria de imprensa do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), que está ligado ao HC suzanense, informou "que inicia nesta semana o atendimento de pacientes Covid-19 da região. O convênio com a Secretaria de Estado da Saúde já foi assinado e está em fase final a formação das equipes para o início da ativação gradativa do serviço, começando com 20 leitos de enfermaria reservados para a doença. Os pacientes serão encaminhados pela Central de Regulação e Oferta de Serviços de Saúde (Cross)".

Apesar de também questionada, a assessoria não informou o que ocorreu com os outros dez leitos de clínica e os dez de UTI prometidos. A expectativa é que a unidade possa ter, no total, 90 leitos, sendo 80 de clínica e os dez de UTI.

Já em relação ao hospital de Mogi, a Secretaria de Estado da Saúde nada informou ao Condemat, que enviou um ofício ao Palácio dos Bandeirantes cobrando uma atualização do cronograma e reclamou da falta das vagas de UTI para os hospitais. "A maior necessidade do Alto Tietê está em leitos de UTI. É essencial que o Estado cumpra o que foi prometido para que a região tenha condições de evoluir no atendimento à população e no cumprimento dos critérios para evoluir nas fases do Plano SP", informou a direção do consórcio.

Mais cobranças

Os prefeitos da região também aproveitaram para cobrar informações sobre os dez respiradores enviados pelo Estado no último mês para ampliar a capacidade do Hospital Santa Marcelina, em Itaquaquecetuba, o qual permanece com a mesma quantidade de leitos de três meses atrás.

Tudo deverá ser seguido de perto pelo MPF, uma vez que o Condemat protocolou na entidade o pedido para acompanhamento da execução dos compromissos assumidos pelo governo do Estado para a ampliação da capacidade hospitalar do Alto Tietê.