Prefeitura enviará ofício ao MP para lojas funcionarem 6 horas

Coletiva Sincomércio - Valterli Martinez - Presidente
Coletiva Sincomércio - Valterli Martinez - Presidente - FOTO: Felipe Claro
O Comitê Gestor de Retomada Gradativa de Mogi das Cruzes irá encaminhar ao Ministério Público o ofício do Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) que comprova o aumento nas aglomerações e filas após a redução no período de funcionamento do comércio de rua - de 6 para 4 horas diárias, o que faz crescer as chances de contaminação do coronavírus. O documento será encaminhado ao órgão junto a um relatório técnico e científico, produzido pelo próprio Comitê.

A administração municipal espera que, a partir dessas informações, o Ministério Público possa se sensibilizar e adaptar melhor as regras do Plano São Paulo do governo do Estado.

O comércio de rua de Mogi das Cruzes informou que, com a redução do período de funcionamento de 6 para 4 horas ao dia, houve aumento de aglomeração de pessoas na região central da cidade e de filas nas portas dos estabelecimentos. Desde o dia 22 do mês passado, o comércio teve que adotar o período de 4 horas de funcionamento, por solicitação do promotor de Justiça, Fernando Lupo. O representante do MP afirmou que os municípios são obrigados a seguir o decreto estadual, que estabelece um máximo de 4 horas por dia para a Fase Laranja do Plano São Paulo. Apenas Mogi e Santa Isabel, no entanto, tiveram que adotar as medidas, enquanto os outros municípios do Alto Tietê, na mesma fase do programa estadual, não sofreram alterações no horário de funcionamento e continuam atuando 6 horas diariamente.

No documento elaborado pelo Sincomércio e apresentado ao Executivo, na última terça-feira, 30 comerciantes de Mogi e outros 30 de municípios vizinhos foram entrevistados. O motivo principal para os atuais transtornos analisados pelo setor é o tempo de permanência reduzido dos clientes no espaço interno das lojas, que foi limitado a 20% de sua capacidade. Tal determinação ocasiona aumento das filas externas, onde está sendo realizado o controle de acesso dos clientes para a higienização e medição de temperatura.

O documento ainda ressalta que, nas cidades que não foram afetadas pela redução do horário de atendimento e permanecem com o atendimento presencial por 6 horas, as filas externas de controle de acesso são menores e, com isso, o tempo de espera dos clientes é reduzido, "proporcionando segurança e eficácia no combate ao Covid-19", diz o texto.

Quando questionados, os comerciantes foram taxativos em afirmar que, com o funcionamento estendido, as filas eram pequenas, com duração entre de 5 a 15 minutos de espera por cliente, diferentemente do atual cenário, em que todos constataram grandes filas com mínimo de tempo de espera de 10 minutos, chegando até os 25 minutos de espera para adentrar o estabelecimento.

"Esse documento é para mostrarmos à Prefeitura a diferença do que ocorre quando temos o funcionamento em 4 e 6 horas", afirmou o presidente do Sincomércio, Valterli Martinez.

BENS NãO DURáVEIS AMARGAM PREJUíZO

Enquanto os setores de móveis, eletrodomésticos e lojas de departamento apresentam bons índices de venda - inclusive com lucro em relação ao ano passado -, o comércio não essencial de bens duráveis (vestuário e demais produtos) estão amargando resultados significativamente negativos em relação às vendas na comparação com o ano passado. Essa é uma das constatações registradas na pesquisa realizada pelo Sindicato do Comércio Varejista (Sincomércio) e encaminhada à Prefeitura de Mogi das Cruzes, desde a reabertura gradual da atividade econômica.

 Nas primeiras semanas após a reabertura, o prejuízo ao setor de vestuário e bens não duráveis foi de 49,9%, sendo que no índice mais recente analisado pela pesquisa - no último sábado - a queda de vendas foi de 44,3%. Movimento totalmente contrário foi analisado na venda de móveis, por exemplo. Nos primeiros dias após a reabertura parcial, o setor registrou aumento de 19,9% nas vendas. O alto índice não permaneceu por muito tempo, visto que entre os dias 21 e 27 de junho, o aumento nas vendas foi de 3,5% e atualmente é quase nulo - 0,6%.

"Esse aumento não nos estranha. Esses departamentos ficaram sem poder vender por muito tempo e a população precisa comprar ou fazer a troca de algum item, por isso, sempre tem movimento", disse o presidente do Sincomércio, Valterli Martinez.

Segundo o representante da categoria, a alta de vendas não deve permanecer. "De 19% fomos para 0,6%. As pessoas compraram o que precisavam e ai se estabilizou, voltou ao normal", completou Martinez, afirmando ainda que a tendência para o setor de móveis e eletrodomésticos é de iniciar um período de menor venda na comparação com o ano anterior. (F.A.)

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