Denúncia aponta 5 mil cestas básicas estragando em Itaquá

Uma equipe de fiscalização do Conselho de Segurança Alimentar de Itaquaquecetuba encontrou, ontem, 5.040 cestas básicas, que seriam doadas às famílias carentes, armazenadas no Ginásio Municipal de Esportes Sumiyoshi Nakaharada, localizado na rua Santa Rita de Cássia, no bairro Vila Japão. As caixas com alimentos estavam divididas em paletes e foram fornecidas pelo governo do Estado de São Paulo para que a Prefeitura auxiliasse os moradores mais vulneráveis neste período de pandemia de coronavírus (Covid-19), quando muitos moradores perderam os empregos e trabalhos informais em razão da quarentena.

De acordo com o advogado e membro do Conselho Municipal de Segurança Alimentar, Aparecido Ribeiro de Almeida, muitas cestas básicas estavam violadas e com falta de alguns alimentos. "Por amostragem, em três caixas constatamos que as linguiças ou charques não estavam na cestas. Os funcionários do local não souberam dar explicações. Onde foram parar este itens e por que não foram colocados outros alimentos no lugar?", indagou o conselheiro.

Ainda segundo Almeida, no ginásio foi certificado que grande parte das cestas básicas foi embalada em 17 de abril, com prazo para a abertura e consumo em até 15 dias. "Inexplicavelmente, as cestas permaneceram estocadas sem ser entregues ao destinatário final. Numa sala, encontramos várias caixas vazias e os alimentos em sacos plásticos transparentes, sem explicação, pois as caixas estavam intactas", acrescentou.

A fiscalização foi realizada após uma série de denúncias no município sobre o armazenamento irregular dos alimentos ni interior do ginásio. As declarações também afirmavam que a Prefeitura estaria adiando o prazo para a entrega das cestas básicas aos moradores para que as ações fossem feitas próximas ao período eleitoral. A direção do conselho informou à reportagem que continuará atenta nos próximos dias até a efetiva entrega destas cestas básicas à população que tem direito ao benefício.

Famílias ausentes

Em nota, a Prefeitura de Itaquá esclareceu que a denúncia não procede, já que toda a distribuição dos alimentos seguiu os critérios estabelecidos pelo Palácio dos Bandeirantes, sendo que aproximadamente de 2 mil famílias não compareceram para retirá-las, ou não foram localizadas para receber em casa os alimentos dosados. "Foi necessário abrir as caixas para a retirada das linguiças, pois as mesmas estavam vencidas. Comunicamos o Estado e aguardamos a autorização para nova distribuição dos produtos", justificou.

Além disso, o Executivo municipal explicou que algumas caixas sofreram danos durante o transporte ou manuseio. Ressaltou também que a administração prestou contas e recebeu a visita de membros do Fundo Social do Estado que foram verificar a situação.