Mais da metade de funcionários associados está sem emprego

O retorno do atendimento presencial de bares, restaurantes, academias e salões de beleza jogou luz sobre o quanto foi perdido durante a paralisação das atividades por conta do coronavírus.Além dos balanços financeiros pessimistas apresentados por associações representantes destes setores, as demissões em massa de funcionários também chamaram atenção, pela quantidade de profissionais - muitas vezes capacitados e com experiência - que foram desligados de seus postos de trabalho.

De acordo com a regional mogiana do Sindicato dos Trabalhadores em Hotéis, Bares, Restaurantes e Similares de São Paulo e Região (Sinthoresp), estabelecimentos do tipo instalados no Alto Tietê demitiram 60% do pessoal vinculado a categoria, algo em torno de 420 profissionais.

Já no ramo das academias, mantém-se a previsão divulgada pelo Grupo Mogi News no mês passado, de que, aproximadamente, 450 funcionários devem ter sido dispensados ao longo dos quase quatro meses de paralisação.

Ainda de acordo com as informações do Sinthoresp, apenas cerca de 40% do atual quadro de funcionários retornaram ao trabalho na última segunda-feira, após a liberação do governo do Estado.

Segundo o diretor da regional de Mogi das Cruzes e Região, Luiz Antonio do Nascimento, os proprietários desses estabelecimentos se mostram cautelosos em retornar as atividades presenciais neste primeiro momento, já que o movimento, apesar de bom, está longe do registrado pré-pandemia, pois os estabelecimentos são obrigados a atuar com capacidade reduzida. "Pode acontecer dos restaurantes e bares reabrirem e fecharem logo em seguida, pela falta de movimento. Mesmo com as regras da Organização Mundial da Saúde (OMS), o sindicato tem essa preocupação, principalmente pelo lado dos funcionários", explicou Nascimento.

Um exemplo disso é Felipe Martins, proprietário de um restaurante na região central de Mogi, que relatou na semana passada que aguardará mais um tempo para retomar as atividades presenciais, uma vez que, baseado na realidade de outros municípios que tiveram a liberação para funcionar antes de Mogi, o movimento está longe do ideal. "Estamos trabalhando para poder retornar as atividades do salão na próxima segunda", explicou. "Tenho colegas que possuem restaurantes em São Paulo e, como também moro na capital, dá para perceber que lá o movimento está muito devagar. Estive ontem (última segunda-feira) na região do Morumbi e está muito vazio", concluiu.

No mesmo sentido, os proprietários de academias em Mogi das Cruzes também se mostraram preocupados com o movimento de clientes nos próximos dias. Além de confirmar a estimativa prévia do total de demissões, o representante do grupo de academias de Mogi das Cruzes, Marcos Pudo, relatou que alguns estabelecimentos devem fechar as portas após as primeiras semanas de funcionamento, devido à baixa rotatividade de clientes e, em contrapartida, o alto custo para manter o espaço aberto. "A gente viu isso acontecendo em outros municípios. Quando retomaram as atividades, não deu para suportar tanto tempo. Caso não consiga renegociar o custo fixo, como os alugueis, muitas vão fechar novamente", comentou Pudo.