Comitê envia ofício ao Estado para flexibilizar o comércio

Em discordância com a restrição do horário de funcionamento de bares, restaurantes e similares, o Comitê Gestor de Retomada Gradativa de Mogi das Cruzes enviou ontem a solicitação de reavaliação da limitação de abertura até as 17 horas ao governo do Estado.

Segundo o grupo de trabalho criado para tratar sobre o retorno dos setores, além do município possuir indicadores recentes favoráveis relacionados à pandemia do novo coronavírus, a estrutura de fiscalização da administração municipal é suficiente para inibir possíveis aglomerações temidas pelo Executivo Estadual. Outro argumento que embasa a solicitação de reanálise é que o conceito de lazer no ato de consumo em bares e restaurantes é incorreto, uma vez que muitos trabalhadores, inclusive atuantes na área da Saúde, necessitam se alimentar no período noturno.

"Dentro desse questionamento encaminhado ao Estado, a gente cita não só o atual cenário do sistema de Saúde de Mogi das Cruzes, como a taxa de ocupação, leitos disponíveis entre outros itens, como também citamos o controle da evolução epidêmica na cidade, com tendência de estabilização e queda", explicou o presidente do comitê mogiano e vice-prefeito de Mogi, Juliano Abe (MDB). "Além disso, mostramos que temos condições de fiscalizar possíveis aglomerações no município com o trabalho conjunto da Vigilância Sanitária, o Departamento de Posturas e a Guarda Municipal", completou.

Para o representante do Comitê Gestor de Retomada Gradativa, os empresários também possuem consciência sobre as determinações impostas e sobre os riscos de descumpri-las. "Assim também é nas periferias da cidade. Claro que quando existe regra tem gente que cumpre e gente que não, mas de modo geral, os empresários também estão temerosos", argumentou Abe, indicando que a administração municipal não ampliará o horário de funcionamento sem o aval do Estado.

Desde o início da flexibilização, o governo estadual vê a possibilidade de formação de aglomerações como um dos principais empecilhos para funcionamento de bares, restaurantes e similares após às 17 horas. O Executivo estadual foi taxativo em relatar a preocupação do Centro de Contingência do Coronavírus com a possibilidade do início de grandes concentrações de pessoas que podem ser formadas a partir do funcionamento noturno.

"A saída à noite gera mais aglomeração e também reduz o cuidado da população com relação aos cuidados com higiene, principalmente o uso de máscara, que tem protegido tanto e contido a pandemia", explicou Patricia Ellen, secretária de Desenvolvimento Econômico do Estado.

Para a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), o horário limitado imposto pelo governo do Estado inviabiliza a abertura da maioria dos bares e restaurantes na cidade de São Paulo, por exemplo. "Tem café que tem perfil de clientela na parte da manhã, tem bar que o perfil de consumo é durante a noite, tem restaurante que funciona melhor no almoço", exemplificou o presidente da Abrasel.

Academias

O presidente do Comitê Gestor de Retomada Gradativa de Mogi também explicou que a determinação de funcionamento por 6 horas contínuas não se aplica às academias, o que permitiu que a Prefeitura fragmentasse em dois períodos a atuação do setor.