SIG investiga ações individuais em agressão ao guarda de Mogi

Costa foi atacado por mais de dez pessoas
Costa foi atacado por mais de dez pessoas - FOTO: Arquivo pessoal
As investigações para identificar os demais agressores do guarda civil municipal (GCM) Marcelo Moreno da Costa, de 56 anos, na madrugada de sábado, no parque Botyra Camorim Gatti, próximo à Prefeitura de Mogi das Cruzes, continuam em andamento. Os trabalhos também seguem para individualizar a conduta de cada um dos envolvidos na agressão contra o servidor.

Segundo o Setor de Investigações Gerais (SIG), após essa etapa, será possível ver qual o grau de responsabilidade de que cada envolvido no espancamento e apresentar a denúncia à Justiça. 

Ainda de acordo com o setor, nas imagens divulgadas em redes sociais e na imprensa, é possível ver ao menos 15 indivíduos na ação, entretanto, poucos participaram das agressões de fato. O SIG trata como se uma minoria dos jovens que aparecem nas imagens tivessem agredido o guarda na madrugada do último sábado. O SIG não divulgou mais informações sobre as investigações do caso para não atrapalhar os trabalhos de investigação.

Os três suspeitos de envolvimento ouvidos na última segunda-feira não possuem passagem pela polícia e foram liberados após prestar depoimento sobre o caso. Já o atendente de telemarketing de 20 anos, preso na noite do crime, próximo ao local, também por suspeita de participar das agressões foi transferido ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Mogi das Cruzes.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública (SSP) confirmou que o SIG está ouvindo testemunhas e analisando imagens de câmeras de monitoramento para esclarecer a ocorrência. Sobre as imagens da agressão, tanto as que foram produzidas pelos próprios jovens que estavam no local, quanto das câmeras de segurança do parque Botyra Camorim Gatti, o SIG detalhou que elas estão sendo fundamentais para a identificação dos criminosos.

Indenização

Ainda não é certo se os guardas agredidos na madrugada do último sábado vão acionar a Justiça pedindo algum tipo de indenização aos agressores. O advogado Carlos Alberto Zambotto, que faz parte do corpo jurídico da Associação dos Guardas Civis Municipais de Mogi das Cruzes e Demais Municípios do Estado de São Paulo, que representa cerca de 160 guardas, inclusive os guardas agredidos no parque, informou que os profissionais agredidos estão "muito traumatizados com o ocorrido", o que inviabilizou, no momento, a discussão sobre o pedido de indenização.

Câmara

No Legislativo mogiano o tema foi amplamente discutido. Durante sessão ordinária realizada ontem, parte dos vereadores cobraram a aparelhagem adequada ao tipo de ocorrência que a GCM mogiana está envolvida atualmente. A unanimidade se deu em lamentar o ocorrido, prestar solidariedade aos guardas agredidos e cobrar punições ao agressores.

"Lamentável o que aconteceu. Essa atribuição, de coibir pancadões, é da Polícia Militar, a guarda estava prestando apoio. Precisamos debater amplamente o tema no município", afirmou o vereador Marcos Furlan (DEM).

BERTAIOLLI QUER GCMS EQUIPARADOS A PMS

Frente à onda de violência que atingiu os Guardas Civis Municipais (GCMs), o deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), apresentará na Câmara a proposta de emenda à Constituição para que o segmento seja reconhecido como Força Nacional de Segurança. A decisão foi tomada após reunião com o diretor da Federação Nacional de Sindicatos dos Guardas Municipais (Fenaguardas), Evandro Fucitalo, além de representantes da Guarda Municipal de Mogi das Cruzes, Ricardo Dantas e Ricardo Serafim.

Segundo o deputado, é notória a necessidade de que as Guardas Civis Municipais tenham o mesmo enquadramento da Policia Militar, por exemplo, já que também exercem funções de segurança pública. "A função dos guardas municipais, hoje, é muito diferente de 30 anos atrás, quando exercia apenas uma função patrimonial", destacou Bertaiolli, "os guardas são alvo constante de violência física e moral e isso têm se agravado durante esse período de pandemia", completou o deputado, citando como exemplo o caso de um guarda municipal de Santos que foi insultado por um desembargador e a violência contra dois guardas que foram dispersar uma aglomeração no último sábado no Parque Botyra Camorin Gatti, em Mogi.

Durante o encontro o deputado se mostrou solidário à guarda Fabiana Jungers, que também estava na ação de sábado em Mogi. "Esse alto índice de violência em todo o país é muito preocupante. Em quatro anos, 114 guardas foram mortos no cumprimento do dever", destacou o parlamentar, salientando ainda que desde março de 2020, 62 profissionais foram vítimas da Covid-19. 

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