Movimento pede mais atenção às ações voltadas ao turismo

Parque Centenário: Criado em 2008, com espaço gigantesco e muito visitado
Parque Centenário: Criado em 2008, com espaço gigantesco e muito visitado - FOTO: Mogi News/Arquivo
Enquanto a pandemia do coronavírus trava a visitação dos pontos turísticos de Mogi das Cruzes, bem como a realização de eventos culturais que fomentem a vinda de turistas à cidade, um movimento de políticos do município retoma as discussões da necessidade de criação da Secretaria Municipal de Turismo.

Atualmente, com a missão de explorar as inúmeras potencialidades da cidade para o chamado turismo de um dia, ou de final de semana, a Prefeitura congrega todo o sistema a uma coordenadoria. O grupo mantém as mesmas premissas do que pode vir a ser transformada em uma futura Pasta em Mogi, entretanto, segundo alguns agentes políticos do município, a coordenadoria não possui a representatividade de uma Secretaria.

A quantidade de eventos sediados e programação voltada ao tema são pontos defendidos para justificar a criação da Secretaria de Turismo, já que o município tem alternativas interessantes, como aspectos naturais (trilhas, represas e pesqueiros), o turismo de aventura, as igrejas históricas e o centro da cidade. Desde 2017, Mogi passou a ser reconhecida como Município de Interesse Turístico (MIT). A adequação garante recursos da ordem de R$ 600 mil por ano, destinados para ações de fomento ao turismo local.

Segundo o vereador Pedro Komura (PSDB), um dos principais incentivadores da criação da Pasta, há uma grande dificuldade, atualmente, em buscar avanços para fomentar o turismo, por não haver uma Pasta dedicada ao tema. "Quem mora em apartamento nas grandes cidades quer sair desses centros urbanos e ter contato com a natureza, e isso a gente tem aqui em Mogi. Seria de vital importância a criação da Secretaria de Turismo. Temos um mercado consumidor muito forte do nosso lado, que é São Paulo, e precisamos explorar esse nosso potencial", disse o parlamentar. Segundo ele, em conversas com visitantes do município, os relatos são de falta de informação referente aos pontos turísticos da cidade.

A intenção do vereador Komura, que possui apoiadores dentro da Câmara, como os vereadores Marcos Furlan (DEM) e Otto Rezende (PSD), é que a criação da Secretaria seja contemplada no plano de governo do prefeito Marcus Melo (PSDB) para a próxima gestão, caso o chefe do Executivo seja reeleito neste ano. A proposta é fomentar o tema e formar um grupo que defenda a causa. "A pandemia evidenciou o quanto os moradores de São Paulo e Guarulhos, por exemplo, gostam de sair de suas cidades, seja de bicicleta, de carros ou de motos, e passar pelos municípios ao redor. Precisamos dar mais estrutura e divulgar nossos pontos para esse público", comentou o parlamentar.

Virou assunto

O tema foi tratado na Câmara, na semana passada, durante as discussões sobre a instalação de um bicicletário no Mercado Produtor de Mogi. Segundo o vereador Komura, o incentivo ao turismo na cidade foi abordado durante conversa com ciclistas que frequentam o espaço aos domingos.

'NãO é O MOMENTO', AFIRMA SECRETáRIO

Aprovação de financiamento de projetos e do conselho de cultura - Mateus Sartori Secretário de Cultura de Mogi das Cruzes
Aprovação de financiamento de projetos e do conselho de cultura - Mateus Sartori Secretário de Cultura de Mogi das Cruzes - FOTO: Mariana Acioli
A percepção de quem administra o tema no município é diferente da dos vereadores que solicitam a criação da Secretaria Municipal de Turismo. O secretário de Cultura e responsável pela coordenadoria de Turismo de Mogi das Cruzes, Mateus Sartori, se mostrou contrário à criação da Pasta. Questionado, o prefeito Marcus Melo (PSDB) também afirmou que não possui planejamento para a criação da Secretaria de Turismo no município, principalmente pela necessidade de economia de recursos gerada pela crise do coronavírus.

Segundo o secretário Sartori, a atual demanda turística do município não justifica a criação da Secretaria, uma vez que a ação iria inflar os gastos da administração pública municipal, com a criação de novos cargos. "Sou totalmente desfavorável à criação de uma Secretaria Municipal de Turismo. Acho que a cidade não tem essa necessidade ainda. Já estamos fazendo um trabalho de estruturação do turismo na cidade. Viramos Município de Interesse Turístico (MIT) em 2017, há muito pouco tempo. O turismo ainda não é vetor principal da economia, como em Guararema, por exemplo", argumentou o secretário Sartori, indicando ainda que a criação da Pasta dedicada ao tema se torna justificável a partir do momento em que o Produto Interno Bruto (PIB) do segmento seja significativamente relevante ao município. "Com a demanda existente atualmente não tem a necessidade de gastar dinheiro público com isso", concluiu.

O secretário Sartori concorda que a criação da Pasta será necessária quando houver mais estrutura para o turismo, com uma rede de recepção e atendimento estruturada voltada ao público. "Daqui há uns dez anos, com hotéis adequados, parques totalmente reformados, quando formos um ponto turístico, vou ficar muito feliz em termos uma Secretaria de Turismo na cidade", completou.

Para a sociedade civil organizada, fica a impressão de que a Coordenadoria de Turismo é bem organizada e atende as demandas das categorias. O ativista e representante de diversas categorias municipais, como a BiciMogi - conglomerado de ciclistas -, Jair Pedrosa, afirma que a necessidade de verbas orçamentárias específicas inviabiliza a criação de uma  Secretaria específica ao assunto. "A coordenaria é bem formatada, tem, inclusive, turismólogo no quadro de funcionários. O Conselho Municipal de Turismo também é bem atuante, até com cadeiras para representantes dos ciclistas", opinou. (F.A.)

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