Com novo critério, cidade que testar mais será prejudicada

Municípios que fizerem mais testes, consequentemente irão contabilizar mais casos
Municípios que fizerem mais testes, consequentemente irão contabilizar mais casos - FOTO: Divulgação
O secretário de Saúde de Mogi das Cruzes, Henrique Naufel, criticou um dos pontos da nova classificação do Plano São Paulo de Retomada Gradativa da Economia, que exige a utilização da quantidade de novos casos do coronavírus nos municípios como um dos critérios para o avanço de fase. O titular da Pasta afirma já ter entrado em contato com o secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn, com quem possui estreita relação, para solicitar uma revisão, especificamente, sobre este item.

O Plano São Paulo é a metodologia utilizada pelo governo do Estado que permite a liberação gradual das atividades econômicas, barradas desde o período da quarentena causada pelo coronavírus, em março.

"Os municípios que realizarem mais testes da Covid-19, certamente, identificarão mais casos da doença e, como consequência, terão entraves para avançar para fases de maiores flexibilização das medidas restritivas impostas ao comércio", explicou o secretário Henrique Naufel.

Mais de 18 mil mogianos já realizaram os testes que detectam a presença ou ausência de coronavírus no organismo, desde o início da pandemia. Embora a Prefeitura não tenha números separados por unidades de saúde públicas e privadas, foi revelado que 18.248 moradores já foram testados. Deste total, mais de 3,6 mil resultados foram positivos.

O governador João Doria (PSDB) anunciou, na última segunda-feira, novos critérios para o Plano São Paulo de Retomada Econômica e enfrentamento ao coronavírus, dentre eles, o ponto de discordância exposto pelo secretário Naufel, que é a comparação entre novos casos da Covid-19. "Esse ponto não é adequado e eu já contemporizei com o secretário Gorinchteyn. Quem testa mais, acaba sendo prejudicado. Se uma cidade testa mais, vai detectar mais casos, e isso tira pontos do município no Plano São Paulo. Conversei com ele sobre a possibilidade do município que fizer mais testes também poder somar mais pontos dentro do Plano", explicou Naufel.

Em relação aos outros pontos alterados pelo governo do Estado, Naufel afirmou que pouco interferem no que já vem sendo feito na região, e que as cidades que já estavam adaptadas aos antigos critérios devem se adequar às novas solicitações. "De qualquer forma, não é hora ainda de passar para a fase verde", cravou Naufel. "É hora de manter o distanciamento, usar álcool em gel, máscaras e tomar todas as medidas necessárias", completou.

Novo critério

A média de internações nos últimos 14 dias - outra exigência do governo do Estado - na região Grande São Paulo Leste, que engloba os municípios do Alto Tietê, além de Guarulhos e Santa Branca, está próxima do índice solicitado pelo governo do Estado para a evolução para a Fase 4 (fase verde) do Plano São Paulo. A região registra 1.385 internações nos últimos 14 dias, incluindo Guarulhos. A taxa fica estimada em 46,5 para 100 mil habitantes, próxima aos 40 pontos máximos exigidos no novo regramento do Plano São Paulo.

Já em relação aos óbitos, os dados atuais mostram uma sensível diferença entre a realidade da região e o esperado pelo governo do Estado. Atualmente, a região Grande São Paulo Leste registra uma média de dez óbitos por cada 100 mil moradores e, para passar à fase verde, é preciso estar entre três e cinco.

As cidades do Alto Tietê se encontram na fase amarela do Plano São Paulo, na qual lojas de rua, shopping, restaurantes, bares, salões de beleza e barbearias podem funcionar por um período de 6 horas diárias e com limite de 40% da capacidade. Na próxima fase, a verde, a flexibilização ficará maior a esses estabelecimentos.

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