Lixo

O lixo urbano é fonte de riqueza para quem o coleta e o transporta para destinação final. Trata-se de prestação de serviço público de atribuição do poder público municipal, que raramente o exerce. Via de regra, o serviço é licitado e empresas privadas passam a exercer esse serviço com remuneração da prefeitura. Se houver uma companhia estadual para a prestação desse serviço, haverá dispensa de licitação.

Pois foi assim que a Sabesp passou a atuar nesse ramo, apenas na fase de tratamento dos resíduos e para isso firmou um contrato com a Prefeitura de Diadema. O prazo do contrato é de 40 anos. O que era uma rotina nos contratos de água e saneamento, a Sabesp agora quer levar para atividade de tratamento dos resíduos. O novo ramo surge em razão do novo marco legal do saneamento básico, pois agora ela passa a concorrer em processo licitatório com outras empresas para o fornecimento de água e o tratamento do esgoto, o que quase não ocorria antes.

Um contrato de quatro décadas para o tratamento do lixo corresponde a dez mandatos de prefeito, período em que a prefeitura e a população a quem ela administra contará com uma única prestadora de serviço sem possibilidade de mudança, é muito tempo.

A Sabesp, que é uma gigante em água e esgoto e passará a sofrer concorrência no setor onde reinava sozinha no Estado começa a diversificar, mesmo sem tradição no ramo de lixo. O movimento alertou o setor, que não quer uma companhia estadual que não precisa participar de licitação. Diferente do que a maioria da população pensa o lixo é um luxo, excelente negócio, restrito a grandes empresas que dominam o setor. São toneladas de resíduos coletados diariamente, transportados e destinados, normalmente em aterros sanitários que caminham para extinção.

Tratar o lixo é uma tendência inevitável, com a reciclagem, coleta seletiva e geração de energia com os resíduos sólidos. A Sabesp viu um novo nicho e os grandes do setor estão de olho, lixo dos outros é dinheiro para quem explora esse setor, é briga de cachorro grande.