Pouco

Pronampe - Programa Nacional de Apoio as pequenas e micro empresas do governo federal é um sucesso e fracasso. Sucesso, porque o crédito disponibilizado se esgotou rapidamente; fracasso porque não atendeu a demanda reprimida das empresas estranguladas pela Covid-19.

As que sobreviveram precisam de socorro financeiro para não entrar em colapso. Assim como o auxílio emergencial para as pessoas físicas, o empréstimo com os juros civilizados do Pronampe são uma tábua de salvação. A Caixa e o Banco do Brasil foram os primeiros a disponibilizar as linhas de crédito que já se esgotaram. Depois os bancos privados, no Itaú em dois dias, já não havia mais recursos disponíveis, alguns bilhões de reais foram emprestados e não atenderam a demanda por crédito dos pequenos.

A experiência revelou que se o crédito é civilizado, todos querem tomar. Agora que vivemos o platô da pandemia e o início de retomada econômica, ficou evidente que sem injeção de crédito para as pequenas empresas não haverá retomada. Grandes empresas conseguem sobreviver por mais tempo, são enxutas, possuem reservas, crédito e patrimônio. Pequenas e micros que não enceraram suas atividades já desligaram seus poucos empregados e acumulam dívidas de toda ordem que cedo ou tarde as vão inviabilizar.

O desemprego que elas geram diminui o poder de compra de milhares de consumidores, um ciclo negativo que afeta toda economia. As grandes empresas não são necessariamente as maiores empregadoras, podem ser as melhores, em condições de trabalho e salários, mas são os pequenos comércios, fábricas e prestadores de serviço que empregam a grande massa.

A extinção desses pequenos empreendedores por falta de crédito impede uma retomada vigorosa. Já vivemos concomitantemente duas crises, a sanitária com milhares de mortos e a econômica com a extinção de milhares de pequenas empresas. Ainda serão necessários mais bilhões de crédito para sobrevivência das micro e pequenas empresas e com elas a manutenção de milhões de vagas. Socorrer apenas grandes corporações não será suficiente, juros civilizados e crédito não pode ser pouco.