Ora, a matemática, I

Tudo aquilo que se inventa é verdadeiro, aceito ou não, é outro problema! Acredito que todos estejam perfeitamente cientes disso. A poesia é tão precisa como a geometria, via arquitetura, o é.

A partir do ponto em que uma pessoa desenvolveu bem seu senso de humor, a matemática, na certa, estará presente, e vai diverti-lo. Por isso mentes pequenas discutem pessoas. Mentes médias discutem eventos. Grandes mentes discutem ideias. Na realidade, grandes mentes discutem matemática.

A pretensa tragédia da matemática resume-se numa conjectura bonita arruinada por um termo feio. Por lembrar que óbvio é a palavra mais perigosa que possa existir para ela. Assim, a essência da matemática reside em sua liberdade de induzir raciocínios com lógica. Ou seja, tornar simples coisas complicadas e dar dimensão complicada, mas quantificada, a coisas simples. É pela quantificação que surge a comparação.

A matemática jamais pretendeu ser uma ciência dedutiva. Só se tenta provar um teorema, depois de se listar as hipóteses. O que se faz em seguida é tentativa e erro, experimentação, lição da casa. Checar trajetos e implicações para encontrar a saída! Com isso existem duas maneiras de se tornar um grande matemático: a primeira é ser mais esperto do que todos; a segunda é ser mais estúpido do que alguém possa ser, mas persistente. Pode parecer bizarro e não parecer, mas a verdadeira matemática não foi escrita só para matemáticos. E como desafio: o maior teorema a ser resolvido pela matemática é por que algumas pessoas são melhores do que outras?

Donde se conclui que a matemática não é uma marcha cômoda ladeira abaixo numa via bem iluminada, mas jornada floresta adentro, onde o explorador com frequência pode se perder. Só o rigor serviria de lúcido sinal para o historiador que mapeia tudo em lugar do explorador real que desistiu da empreitada. Para concluir: toda matemática, sem ser divindade, é Juiz Supremo! Não há como apelar depois de sua decisão! Dêem só uma espiada nas contas públicas, país afora!