O lado mais fraco

Ajustar o cronograma de um processo em andamento que sofreu interferências por razões imprevistas é das tarefas mais complexas de se executar. Por mais estudada que seja essa adequação, as possibilidades de não se conseguir unanimidade com a proposta são imensas e certamente alguns dos lados envolvidos ficarão insatisfeitos com o resultado. A análise cabe perfeitamente na escolha de uma nova data para a aplicação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), comunicada na quarta-feira pelo Ministério da Educação (MEC).

Ao anunciar que a prova foi transferida de novembro deste ano para janeiro de 2021, em virtude das restrições impostas pela pandemia do coronavírus, o MEC fez o que já deveria ter feito há algum tempo, mas acabou transferindo para outros setores o peso de um replanejamento de calendário que dificilmente será fechado sem uma sobra de insatisfação ou de prejuízo para alguma das partes interessadas.

Durante a coletiva para anunciar o adiamento, o próprio ministro interino da Educação, Antônio Vogel, admitiu que a nova data da prova não é uma decisão "perfeita e maravilhosa para todos os candidatos". Com isso, deixou claro que alguém sairá perdendo. De imediato, entidades que representam os estudantes - União Nacional dos Estudantes (UNE), União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (Ubes) e a Associação Nacional dos Pós-graduandos (ANPG) - criticaram a escolha da data, lembrando que foi realizada pelo MEC uma consulta com os candidatos sobre o adiamento, e que a maioria havia indicado o mês de maio do próximo ano como data ideal. Os estudantes não foram ouvidos.

A justificativa do MEC se baseia na estratégia de criar condições viáveis para que as instituições federais possam usar o resultado do Enem para a seleção de calouros no próximo ano e que as escolas particulares ainda tenham tempo hábil para aproveitar o rescaldo dos candidatos. Resolve, em parte, um lado da questão. O prejuízo, então, ficará para o estudante que passou um ano inteiro em casa, restrito à aprendizagem on-line e sem condições de se preparar adequadamente para o Enem.

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