Secretário refuta compra de vacina

Élcio Franco citou adesão do país a consórcio global
Élcio Franco citou adesão do país a consórcio global - FOTO: Carolina Antunes/PR
Contrariando nota enviada pelo próprio Ministério da Saúde anteontem, o secretário-executivo da pasta, Élcio Franco, afirmou ontem que "houve interpretação equivocada da fala do ministro da Saúde (Eduardo Pazuello)" sobre a compra de doses da Coronavac e ressaltou que a pasta não firmou "qualquer compromisso com o governo do Estado de São Paulo ou com o seu governador no sentido de aquisições de vacinas contra a Covid". A vacina é desenvolvida pela farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantã, vinculado ao governo paulista. 

Em rápido pronunciamento feito na TV Brasil, sem a presença de Pazuello, que está em isolamento por ter contraído a Covid-19, Franco destacou ainda que "não há intenção da compra de vacinas chinesas", conforme o presidente Jair Bolsonaro já havia declarado em suas redes sociais pela manhã.

Pazuello havia anunciado anteontem, em reunião virtual com 27 governadores, a assinatura de protocolo de intenções para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac ainda neste ano. A decisão foi comunicada oficialmente por meio de nota enviada pela assessoria de imprensa do órgão e publicada no site do ministério. No texto, a pasta deixou claro que a compra estava condicionada à aprovação do imunizante pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Apesar de ter negado acordo para compra de Coronavac, o secretário-executivo afirmou que houve, sim, a celebração de um protocolo de intenções com o Butantã, que é o maior produtor de vacinas usadas no Sistema Único de Saúde (SUS). Não ficou claro se o ministério poderá adquiri-la quando a tecnologia da Sinovac for repassada ao instituto brasileiro e a produção for local.

Franco citou a adesão do governo federal ao consórcio global Covax Facility e o acordo com a Astrazeneca/Universidade de Oxford para a produção de 100,4 milhões de doses de outra vacina para Covid-19 e transferência de tecnologia para produção própria de insumos, o que possibilitará que a Fiocruz produza outras 110 milhões de doses no segundo semestre de 2021.

Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), faz um "jogo político" quanto às negociações para compra da vacina chinesa. O chefe do Executivo afirmou que Doria distorceu as palavras de Pazuello, e que tem "zero" diálogo com o governador paulista. 

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