Presidente nega a privatização do SUS

Presidente disse que decisão será tomada em março
Presidente disse que decisão será tomada em março - FOTO: Valter Campanato/Agência Brasil
Após revogar o decreto que autorizava estudos para abrir as Unidades Básicas de Saúde (UBS) à iniciativa privada, o presidente Jair Bolsonaro disse anteontem que pode reeditar a medida. Para apoiadores, o chefe do Executivo argumentou que a população merece um "bom atendimento médico". Ele voltou a negar que a intenção da proposta fosse privatizar o Sistema Único de Saúde (SUS).

"O pessoal falou que era privatizar, eu revoguei o decreto. Deixa. Quando tiver o entendimento do que a gente, de verdade, quer fazer, talvez eu reedite o decreto. Enquanto isso, vamos ter mais de 4 mil unidades abandonadas, jogadas no lixo sem atender uma pessoa sequer", declarou.

O presidente citou ter sido alvo de críticas da "esquerda" e da "imprensa" e, por isso, voltou atrás na norma. "Lamentavelmente o pessoal da esquerda critica, essa imprensa critica, e eu estava virando um monstro. Então, eu revoguei o decreto, sem problema nenhum. Eu tenho um bom atendimento médico, agora o povo tem que ter também", argumentou.

Bolsonaro destacou ainda que não pode remanejar recursos do Legislativo para a Saúde e que não era um "ditador". Alvo de críticas negativas, o decreto revogado aanteontem era assinado por Bolsonaro e pelo ministro da Economia, Paulo Guedes. O texto incluía unidades de saúde no âmbito de estudo do Programa de Parceria de Investimentos (PPI), sobre concessões e privatizações do governo.

Guedes afirmou ontem que seria um "contrassenso" falar em privatização do SUS. "O objetivo do decreto não era privatizar o sistema ou atacar o SUS", afirmou em audiência na comissão mista do Congresso que fiscaliza a atuação do Executivo no combate ao coronavírus. "Quem é maluco de acabar com o acesso universal no SUS? A luta é para aumentar o acesso", continuou.

Guedes comentou que existem mais de 4 mil unidades básicas de saúde que iniciaram construção e não conseguiram terminar por falta de recursos no meio da pandemia. Um dos objetivos das parcerias com a iniciativa privada na saúde era atacar esse problema, segundo o governo. "Se fosse privatização do SUS teria que ir para Congresso e STF opinaria. Privado terminaria obras e equipamentos, e governo daria voucher saúde. Foi um susto pra mim ontem, com decreto cedo e a suspensão pelo presidente. Jamais esteve sob análise privatizar o SUS", afirmou o ministro.

O vice-presidente Hamilton Mourão também afirmou ontem que "houve muito barulho por nada" em relação à revogação do decreto. Ele ponderou que os estudos poderiam concluir pela viabilidade ou não de uma possível privatização.

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