Secretária de Educação avalia impacto da Covid-19 no ensino

Juliana Guedes:
Juliana Guedes: "Não existe educação sem professor" - FOTO: Mogi News/Arquivo
Na data em que é celebrado o Dia dos Professores, a Secretaria Municipal de Educação de Mogi das Cruzes avaliou o impacto da pandemia de coronavírus (Covid-19) na vida e aprendizado dos alunos e profissionais da rede. 

A professora e secretária municipal de Educação, Juliana Guedes, informou que a estratégia para mitigar a mudança drástica e repentina do presencial para o virtual foi dar liberdade para os docentes se organizarem. "O professor é o maior conhecedor da realidade de sua escola, por isso demos essa abertura para sugestões de como as aulas deveriam ser transmitidas e as atividades aplicadas. Acompanhamos as variações de perto com nosso departamento pedagógico para seguirmos o currículo de forma unificada", declarou.

Diante da digitalização pela qual todo o sistema teve que se submeter nos últimos meses, Juliana acredita que a pandemia dividirá a educação em antes e depois, mas a presença do professor continuará sendo fundamental. "Não existe educação sem o professor. Não há máquina nem tecnologia que substitua esse profissional, porque não estamos falando apenas de transferência de conhecimento, mas da formação pessoal dos alunos e isso nenhuma plataforma digital é capaz de transmitir como o professor faz", disse.

A secretária avalia que uma das maiores perdas para a educação durante este período de distanciamento que segue ativo foi a ausência do contato professor/aluno e aluno/aluno,  importante da formação das crianças. "Teremos de reaprender muitas coisas e enfrentar grandes desafios no retorno presencial. Precisaremos restabelecer a rotina das crianças que foi perdida durante a quarentena. Nisso, os pais precisarão nos ajudar", comentou.

De acordo com a responsável pela Pasta, muitas mudanças vieram para ficar e o pós-pandemia será marcado por uma formato educacional híbrido - que mistura atividades remotas e aulas presenciais. "Aí consiste outro grande desafio, pois para alcançar esse formato precisaremos construir uma cidade que oferte internet em todos os lugares. Precisamos dialogar com as empresas provedoras e cobrir essa demanda", ponderou.

Apesar das adversidades enfrentadas nos últimos meses, a secretária considera que os alunos da rede estão conseguindo manter um bom aproveitamento. Recentemente a Prefeitura aplicou uma avaliação virtual onde 75% dos alunos participaram e a nota média ficou em 8.10. 

*Texto supervisionado pelo editor.

PROFESSORES DO ESTADO RECLAMAM DAS CONDIçõES

Ines Paz - Protesto Mães Mogianas (4)
Ines Paz - Protesto Mães Mogianas (4) - FOTO: Daniel Carvalho
Na rede estadual de ensino há pouco para se comemorar neste Dia dos Professores. Segundo os docentes entrevistados pelo Grupo Mogi News, a pandemia de coronavírus (Covid-19) dificultou ainda mais a vida dos professores. Os profissionais tiveram que improvisar para ensinar e sem recursos e suporte, poucos conseguiram se adaptar. 

Dando voz a parte das demandas, a professora Inês Paz, que leciona há 40 anos no sistema público, contou que a pandemia expôs ainda mais a desigualdade social dentro do sistema educacional. "Temos professores que estão fazendo bicos para sobreviver e alunos com fome porque dependiam da merenda escolar que ainda não está sendo entregue para todos", denunciou. 

Quanto ao tão falado fim da lousa e giz, a professora aponta que essa "Nova Era" da educação não será para todo mundo se não houver investimento e interesse. "Sem investimentos nos profissionais para que consigam se adaptar ao novo formato, assim como meios para a tecnologia chegar até a casa dos alunos, a maioria permanecerá excluída", reclamou. 

Com dez anos de experiência na rede estadual e sistema privado, o professor de História e Filosofia, Gustavo Cardoso Rodrigues, pôde acompanhar de perto as desigualdades entre os dois sistemas. "A grande diferença entre as duas redes está diretamente ligada aos investimentos discrepantes que cada uma recebe. Além disso, as famílias da rede particular dispõe de condições melhores para acompanhar o ensino de seus filhos e isso faz toda a diferença", apontou.

De acordo com Rodrigues, nas escolas particulares os professores receberam todo o suporte possível para se adaptar enquanto na rede estadual tiveram que "trocar o pneu do carro andando". 

Para ambos, o ano letivo não foi perdido devido aos esforços dos professores e alunos mesmo em meio ao descaso. Ainda assim, recuperações devem ser estimuladas no próximo ano para suprir qualquer defasagem. (L.K.)

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