Porteira escancarada

Após mais de três meses na fase amarela do Plano São Paulo de retomada da economia, frente à pandemia de coronavírus, o Alto Tietê alcançou à fase verde. Se fosse seguir o critério antigo dos indicadores de casos, mortes e quantidade de leitos Covid, nem a capital paulista nem o Alto Tietê conseguiriam essa nova classificação, que dá ainda mais flexibilidade às atividades comerciais.

É um grande jogo de interesses. O governador João Doria (PSDB) sofria pressão para que o município de São Paulo passasse de fase no Plano São Paulo, mas os indicadores em relação ao controle da doença não atingiram o critério mínimo considerado "seguro". O jeito foi mudar as regras do jogo e somar-se à região metropolitana - até então as contas eram feitas de forma separada, regionalizada. O novo critério acabou beneficiando não só a capital, mas também o Alto Tietê. Assim, o funcionamento de diversos setores do comércio poderão funcionar por 12 horas, além de aumentar em 60% a capacidade total de atendimento.

A verdade é que, na prática, em muitos locais, a porteira já está aberta. Ou melhor, escancarada. É bem verdade que o número de mortes e internações vem diminuindo, na mesma proporção que o desrespeito pelas regras da quarentena vem aumentando. E o governador, mais uma vez, cedeu à pressão.

E o que resta agora para o Alto Tietê e demais regiões da Grande São Paulo? A fase azul. Mas isso não pode ocorrer do dia para noite. A próxima e última reclassificação do Plano São Paulo não prevê mais restrições, ou seja, seria praticamente o decreto do fim da pandemia. Nesse cenário, provavelmente, o coronavírus já não faria tantas vítimas em razão das vacinas. Assim se espera. Uma campanha de vacinação em massa provavelmente deverá ocorrer a partir do ano que vem para que tudo volte ao normal, ou "novo normal".

Acuado pela imunização de rebanho, o vírus deixará de ser o assunto principal. Assim, também se espera. Mas, enquanto a pandemia não terminar, continuaremos com o velho discurso que, por sinal, achamos prudente: a saúde vem em primeiro lugar. Aprendemos com o governo, inclusive. O governo do "Faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço".