Os favoritos

Depois de iniciado o período da propaganda eleitoral no rádio e na TV para o pleito municipal do próximo mês, ficou ainda mais discrepante os contornos de uma disputa desequilibrada entre as forças partidárias no Alto Tietê. Além de uma enxurrada de candidatos nanicos, que somente irão figurar nas eleições para roubar um punhado de votos, há uma tendência desigual a favor dos favoritos, aqueles que já ocupam o posto majoritário nas cidades, por conta de uma legislação eleitoral que beneficia o continuísmo.
Os atuais prefeitos possuem, por meio das coligações partidárias, o maior tempo de exposição no horário eleitoral, o que, de antemão, os colocam em condição privilegiada em relação aos concorrentes. Além disso, têm a seu favor a possibilidade de anunciar as realizações do presente mandato, como obras públicas e benfeitorias, conquistas na área da Educação, avanços nas questões de saneamento básico, meio ambiente e assistência social. Na prática, estão com o queijo e a faca nas mãos. A menos que a atual administração tenha sido pífia a ponto de superar o limite razoável da rejeição, a reeleição está bem encaminhada.
Neste ano, especificamente, em virtude da pandemia do coronavírus, as prefeituras foram obrigadas a centrar forças e investimentos para o setor da Saúde, com o objetivo imediato de controlar os casos da doença e as eventuais mortes. De uma forma geral, até porque as orientações estruturais partiram dos governos federal e estadual, todos os prefeitos se saíram bem, enfrentando a Covid-19 em condições satisfatórias e sobrevivendo, a duras penas, economicamente. Se algo não deu certo, também o foi nos âmbitos do Estado e da União. A responsabilidade não foi exclusiva dos municípios.
O foco quase integral na Saúde acabou virando um potente cabo eleitoral dos atuais prefeitos, que dificilmente será utilizado, com argumentos plausíveis, pelos adversários. O risco para a reeleição se dá apenas pela incógnita das redes sociais ou pelo efeito negativo de uma bem sucedida fake news. Caso contrário, as urnas não devem revelar surpresas em novembro.