Números para refletir

O perfil dos candidatos às eleições municipais do próximo mês em Mogi das Cruzes, levantado com esmero pela reportagem do Grupo Mogi News baseado em informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e disponíveis para acesso público, traz algumas constatações óbvias, como a maioria (66,8%) dos pretendentes ser do sexo masculino e casada (56,6%). Mas também revela nuances curiosas, que merecem uma reflexão mais profunda para se avaliar o atual nível da participação política no Brasil.

De um total de 599 candidatos registrados na cidade, apenas 75 (12,5%) estão na faixa etária que vai até os 34 anos. Isso pode significar que os mais jovens não têm apetite para a política e que a carreira pública está reservada aos mais velhos. Com tamanho volume de corrupção registrado no Brasil e denunciado pela imprensa nos últimos anos, aparentemente os cargos eletivos deixaram de ser atraentes para a nova geração ou, ao menos, têm importância menor em relação a outras prioridades.

Menos da metade dos concorrentes (41%) possui formação acadêmica. A maioria atingiu, no máximo, até o Ensino Médio. Há, inclusive, 11 candidatos mogianos que assumem a condição de apenas ler e escrever, admitindo praticamente o analfabetismo. Para cargos que exigem a responsabilidade de representar a população, é lamentável que a graduação não seja quesito obrigatório. Sem estudo e com repertório cultural limitado, há pouco a se esperar deste grupo de pessoas.

A porcentagem masculina de candidatos só não é maior por força de lei, que obriga uma proporcionalidade entre homens e mulheres nas candidaturas de cada partido. A prática da política no país mantém sérias tendências à divisão desigual de gênero, levando ao entendimento equivocado de que os cargos públicos devem ser reservados aos homens. Infelizmente, a tradição machista no país ainda persiste.

No balanço da reportagem publicada ontem fica evidente que poucas mudanças de peso são aguardadas para novembro. O que deve realmente ocorrer é a manutenção de grande parte dos atuais mandatários, por absoluta falta de opção para o eleitorado.