Pandemia política

É preciso ser minimamente razoável para aceitar que uma vacina tão importante, como as que estão sendo produzidas para imunizar a população mundial contra o coronavírus, não deve ter paternidade. Essa deveria ser, ao menos por parte dos governantes, a maneira mais humana de enfrentar uma doença que já dizimou mais de 150 mil vidas no Brasil, sendo 1.501 somente no Alto Tietê, praticamente 1% dos brasileiros que não resistiram à doença moravam em uma das dez cidades da região.

Mas parece que é isso que está em guerra agora. O Instituto Butantan, em parceria com a chinesa Sinovac, vão passar a produzir o imunizante contra a Covid-19 e o Ministério da Saúde já havia assinado um protocolo de intenção para comprar a vacina, mas o ministro Eduardo Pazzuelo foi desautorizado pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, e a compra parece que não irá se concretizar.

Situações como essa beiram o absurdo. É irrelevante se a vacina tenha origem no país onde se registrou as primeiras infecções e mortes por coronavírus, isso tem que passar longe de uma decisão para garantir a imunização contra a enfermidade. Os testes já mostraram que a vacina é segura, no entanto falta comprovar a eficácia, e tendo isso sacramentado, se de fato for, não há porque renegar seus benefícios.

Muitas vidas e empregos já foram perdidos, diversas empresas não tiveram força para retornar após o período mais árduo da pandemia. Não é justo que mais pessoas paguem por negligência porque um político quer ser melhor do que o outro. Se quiser ser melhor, dê o aval para que a vacina possa ser comprada pela União e distribuída, por meio de campanha de mobilização nacional, aos municípios.

Negligenciar o acesso da população à vacina, venha ela de onde vier, pode levar o nome de políticos ao Tribunal Penal Internacional, em Haia, na Holanda, por crimes contra a humanidade. Não se deve esperar isso de nossos governantes.

Assim que a vacina do Butantan, ou qualquer outra que seja, estiver disponível, deve ser aplicada na população, sem guerra política, apenas para o bem das pessoas.