Votos pulverizados

Por força das modificações impostas pela lei eleitoral vigente para 2020, uma das características marcantes no pleito desse ano deverá ser a fragmentação dos votos para os candidatos, principalmente do Legislativo. Como o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) definiu a obrigatoriedade de postulantes ao Executivo pelos partidos, inibindo a possibilidade de coligações, houve um sensível aumento na quantidade de candidatos neste ano.

Para se ter uma ideia, em Mogi das Cruzes, por exemplo, em 2016, apenas três nomes concorreram ao Executivo: Marcus Melo (PSDB), Luiz Carlos Gondim (SD) e Miguel Bombeiro (PMN). Melo foi eleito com 129.765 votos, ou 64,34% dos votos válidos, dispensando a necessidade de segundo turno. Neste ano, são sete postulantes ao cargo máximo da cidade, o que deve favorecer a uma maior divisão de votos e ampliar a possibilidade de um segundo turno, previsto para o dia 29 de novembro.

No caso da escolha para vereador, a situação é ainda mais desproporcional. Na eleição de 2016, Mogi teve um total de 398 concorrentes às 23 vagas no Legislativo. Neste ano, para o mesmo número de cadeiras, serão 558 candidatos, o que dá um crescimento de 40,2%. O número de eleitores, porém, aumentou apenas 7,7% de um pleito para o outro. Eram 296.954 pessoas habilitadas em 2016 e hoje são 319.826. Isso significa que a média de votos por candidato caiu de 746 para 573.

A tendência é que os eleitos tenham um menor número de votos, já que eles ficarão mais fragmentados proporcionalmente. Na última eleição, o mais votado foi Caio Cunha, então no PV, com 5.788, ou 3,08% dos votos úteis. Hoje, Cunha é candidato a prefeito pelo Podemos. Dos parlamentares eleitos, Fernanda Moreno, também no PV à época, conquistou a sua vaga com 1.200 votos, uma representatividade de apenas 0,63% do eleitorado. Neste ano, há a clara possibilidade de que alguns dos escolhidos tenham menos de mil votos, o que significaria uma legitimidade ainda mais ínfima.

A cada eleição que passa, os eleitos têm de enfrentar crescente oposição insatisfeita, pela própria estrutura frágil criada pelo TSE. Neste ano, a situação não será diferente.