A guerra da vacina

O presidente se mete na polêmica da vacina. É tudo o que o pais não precisa, uma vez que nem o governo está consolidado. Há grandes desafios a serem vencidos, mas o chefe do executivo opta pela guerra política. Vacinar ou não vacinar, eis a questão. No meio de uma pandemia os políticos se dividem mais uma vez.

Afinal a vacina deve ou não ser obrigatória? O debate envolve também juristas. Uns defendem a edição de um projeto de lei para ser aprovado no Congresso Nacional que obrigue a vacinação de todos. Quem não se vacinar, diz o projeto, vai pagar uma multa e ser impedido de atos da vida civil como realização de matrícula nas escolas, obtenção de empregos públicos ou em empresas privadas e realização de viagens. Os hotéis só aceitam hóspedes se mostrarem certificado de vacinação. Outros consideram a obrigatoriedade uma invasão da privacidade.

Já há os que culpam os ratos, baratas, esgoto pela doença, que não é a única a assombrar a população. Até os estrangeiros são vistos com maus olhos, uma vez que também são suspeitos de trazer a doença. Os ânimos explodem com a aprovação do projeto que torna a vacinação obrigatória. O presidente venceu. Os jornais publicam o resultado e a população sai na rua para protestar. Ao presidente Rodrigues Alves não resta outra alternativa senão pôr a polícia na rua. A violência graça por todo lado. Os radicais conspiram e articulam um golpe de Estado para depor o governo e implantar uma ditadura do modelo positivista, tão cara aos que proclamaram a república 15 anos antes. O país afunda em crise, com reflexos na economia e nas exportações realizadas no porto do Rio de Janeiro, o principal do país. Durante todo o ano de 1904 as escaramuças se sucedem. Finalmente a reação contra o médico responsável, Oswaldo Cruz, o prefeito e o governo é contida. O número de mortos nos conflitos chegam a 30, 110 feridos e quase mil presos e violentados na Ilha da Cobras. Metade é desterrado para o Acre. O presidente vence a guerra das vacinas e pode até articular uma nova candidatura.