Âncora

O presidente Bolsonaro afirmou que não participaria das campanhas municipais. Mas, em São Paulo, autorizou que Celso Russomano utilizasse seu nome e imagem. Então líder nas pesquisas eleitorais, Celso despencou quase dez pontos percentuais. A queda fez com que o nome do presidente fosse discretamente suprimido do jingle. A rejeição ao presidente na capital é alta e isso pode ter contribuído para queda nas intenções de voto.

Em sua terceira eleição ao cargo de prefeito, mais uma vez Celso sai na frente e declina, o que lhe rende apelidos jocosos, como cavalo paraguaio. Embora não seja possível afirmar que sua queda se deva exclusivamente ao presidente, não há como deixar de fazer essa ligação. O mesmo ocorre no Rio de Janeiro, onde Marcelo Crivella expõe o presidente como cabo eleitoral e pode ficar fora do segundo turno.

Seria esse o motivo pelo qual Bolsonaro não se dispôs a ser cabo eleitoral? Um presidente que não está filiado a nenhum partido, com falas controvertidas e posições que desagradam metade da população não parece mesmo ser um bom cabo eleitoral, ao menos nas maiores capitais. Para eficiência nesse papel é fundamental que o presidente seja extremamente popular e mais, que o Brasil estivesse a pleno vapor. O que vemos é uma situação completamente inversa: o país mergulhado na crise produzida pela paralização das atividades econômicas, no desemprego e na inflação, que embora ainda não apareça como força nos índices oficiais, é vista diariamente nos açougues, lojas de materiais para construção, postos de combustíveis e comércio geral.

A ausência de reformas estruturais, a alta contínua do dólar e a manutenção do desequilibro no gasto público geram um ambiente de incerteza e insatisfação. O auxílio emergencial tem data para chegar ao fim, mas faz parte do discurso de Celso em São Paulo e outros candidatos. A promessa não colou, todos sabem que é inviável e nas capitais o auxílio não foi suficiente para recompor a renda em razão da pandemia. No barco de seus candidatos, Bolsonaro tem funcionado com âncora, ao menos no eixo Rio-São Paulo, ruim para ambos.