Finados e a Covid

Dia de Finados talvez seja o feriado mais sentimental do Brasil. Como muitos já sabem, é no dia 2 de novembro que familiares e amigos relembram aqueles que já partiram e tiram a data para refletir sobre a finitude. Tudo isso incluiu a clássica visita aos cemitérios, fazer uma limpeza, trocar as flores e conversar com o ente já falecido para amenizar um pouco a saudade e, porque não, ter a sensação de que a pessoa está presente.

Mas este ano será diferente. Há uma pandemia à solta e algumas regras terão que ser obedecidas pelos frequentadores dos chamados "campos santos". Haverá a limitação de pessoas dentro dos espaços e o uso constante das máscaras e demais itens de proteção; algumas prefeituras também proibiram lavar as sepulturas nos cemitérios municipais. Tudo isso para evitar que mais pessoas se contaminem com o coronavírus.

Outra mudança interessante é que o feriado poderá ser "estendido", não a data evidentemente, mas as visitações: em vez de ser somente na segunda-feira, quando será celebrada a data, as idas aos cemitérios poderão ocorrer em outros dias. Esse é mais um ponto interessante a ser observado porque, embora parte da população vá de carro, outra irá utilizar o transporte público, sendo assim, o sistema poderá ter uma demanda maior, o que durante uma pandemia não é boa ideia.

Pode ser que, somente neste ano, para ajudar a frear a transmissão, seria mais seguro fazer o ritual de recordação dentro de casa, ou em qualquer outro lugar onde não haja grande concentração de público. O momento ainda pede cuidados, mesmo que a velocidade de casos e mortes tenham diminuído, não é hora de baixar a guarda.

No próximo ano, uma vacina já estará disponível e o mundo poderá ver uma campanha de imunização sem precedentes na história da humanidade, e isto incluirá o Brasil.

É para se pensar. Talvez deixar de visitar os cemitérios neste feriado de Finados seja o ato mais sensato neste momento.