Exportação em baixa

Mesmo que não seja uma tendência exclusivamente regional, pois ocorreu praticamente no mundo inteiro, em proporções relativamente semelhantes, a queda no volume de exportações registrada no período de março a setembro deste ano, motivada pelas restrições impostas pela pandemia do coronavírus, é um sinal de alerta. Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços, as cinco cidades com maior população do Alto Tietê deixaram de arrecadar, juntas, cerca de R$ 716 milhões em exportações.

A cifra representa uma redução de 26,5% em relação ao mesmo período do ano passado. Os índices, porém, são contrastantes na região. Enquanto Ferraz de Vasconcelos registrou queda de 47,3%, Itaquaquecetuba apresentou um crescimento de 26%. Os outros municípios, Mogi das Cruzes, Suzano e Poá, ficaram próximos à média. O grupo de cidades arrecadou no período deste ano algo em torno de R$ 1,9 bilhão, diante de
R$ 2,7 bilhões acumulados em 2019.

O alerta, segundo os especialistas em Economia, deve ficar por conta dos reflexos que essa queda vai trazer aos setores analisados. Como os ciclos de produção são anuais, a tendência é que em 2021 os itens subsequentes, como nível de emprego, por exemplo, possam ser afetados com maior intensidade. Já há registros da falta de matéria-prima importada para a produção em alguns segmentos no Brasil, o que deve prejudicar as exportações neste final de período. Alguns empresários conseguiram recuperar o ritmo da produção para atender a demanda crescente no exterior, mas a falta de insumos inviabilizou o processo. O efeito cascata será inevitável.

Como fator animador, acompanhando a tendência do Velho Mundo, há o registro de recuperação da balança comercial em muitos países da Europa, o que pode ser benéfico para o Brasil, apesar da chamada segunda onda da Covid-19 estar crescendo no exterior. O mercado sem fronteiras costuma obedecer as regras da lógica. Se os números melhoram em outras nações, o Brasil vai sentir os efeitos em breve. Isso pode antecipar a recuperação regional e a retomada no volume de exportação.