Estudos de vacina vão ser retomados

Testes estão sendo feitos em 11 Estados do Brasil
Testes estão sendo feitos em 11 Estados do Brasil - FOTO: Itamar Crispim/Fiocruz/Divulgação
A Associação Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou ontem a retomada dos estudos clínicos da vacina contra a Covid-19 elaborada pelo laboratório Janssen-Cilag, divisão farmacêutica da Johnson & Johnson. A decisão garante segurança aos voluntários brasileiros que queiram participar dos testes que estavam suspensos desde 12 de outubro após um voluntário americano apresentar um evento adverso grave.

A Anvisa informou em nota que "concluiu que a relação benefício e risco se mantém favorável e que o estudo poderá ser retomado". A autorização para a retomada dos estudos teve como base dados do evento adverso envolvendo o voluntário americano e informações do Comitê Independente de Segurança. A agência analisou ainda dados da autoridade regulatória norte-americana (Food and Drugs Administration - FDA).

Até o momento da interrupção dos estudos em outubro, 12 voluntários brasileiros, todos do Rio de Janeiro, já haviam participado do teste, recebendo a dose da vacina ou do placebo. Os estudos da vacina elaborada pela Johnson & Johnson estão sendo conduzidos em 11 Estados do Brasil, prevendo a inclusão de cerca de 7,5 mil pessoas maiores de 18 anos.

A agência comunicou que vai permanecer atenta a possíveis efeitos adversos da pesquisa. "Caso seja identificada qualquer situação grave com voluntários brasileiros, irá tomar as medidas previstas nos protocolos para a investigação criteriosa desses eventos", diz a nota da Anvisa.

Mourão

O vice-presidente Hamilton Mourão negou ontem vivenciar um atrito com o presidente Jair Bolsonaro por causa da vacina chinesa, a Coronavac. Na semana passada, Mourão afirmou em entrevista à revista Veja que "é lógico" que o Brasil comprará doses, apesar de Bolsonaro negar essa possibilidade. Ele afirmou que não conversou com Bolsonaro sobre o assunto, mas que acredita que o presidente fará o que for melhor para a população. 

Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), divergem publicamente sobre a obrigatoriedade da vacinação contra a Covid-19. Enquanto o presidente, que é candidato à reeleição em 2022, diz que o governo federal não obrigará a imunização, o governador, principal adversário de Bolsonaro, já afirmou que a vacina será obrigatória para os paulistas.

No mês passado, o presidente revogou acordo feito pelo Ministério da Saúde para a compra de 46 milhões de doses da Coronavac, vacina da farmacêutica chinesa Sinovac que será produzida pelo Instituto Butantã.

Mourão defendeu ainda uma posição de cautela em relação a um imunizante contra a Covid-19. "Não é uma coisa tão simples", disse.

Segundo o vice-presidente, estudos sobre a vacina ainda devem indicar, por exemplo, os grupos prioritários para tomar o imunizante ou se haverá alguma contraindicação para alguma parcela da população.

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