Emprego deve ser base da retomada

Taxa de desemprego saltou de 11,9% para 13,5%
Taxa de desemprego saltou de 11,9% para 13,5% - FOTO: Divulgação
Com a aposta de uma retomada em "V" da economia brasileira se concretizando ainda no quarto trimestre de 2020, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia publicou um documento renovando o otimismo da pasta com um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) acima de 3% em 2021. No documento intitulado "Considerações sobre a política econômica: objetivos e desafios para 2021", a SPE busca responder - segundo o próprio texto - as dúvidas de alguns analistas sobre o ritmo de crescimento a partir de janeiro, quando os estímulos do governo para famílias e empresas enfrentarem a pandemia chegarão ao fim.

Antes de traçar o cenário da equipe econômica para o próximo ano, a SPE lembra que essas medidas - como o auxílio emergencial e os saques do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) - podem ainda injetar R$ 130 bilhões na economia até o fim de 2020. 

A SPE lembra ainda que a redução do consumo das classes média e alta durante as fases mais rigorosas do distanciamento social resultou em um aumento expressivo da poupança dessas famílias. Além disso, a secretaria cita os bons resultados do mercado de trabalho formal nos últimos meses e a antecipação de férias no auge da pandemia, que deve garantir um maior contingente de trabalhadores na ativa no final do ano.

Para o próximo ano, a projeção de crescimento de 3,2% da SPE se baseia em três fatores principais: emprego, crédito e consolidação fiscal. A equipe econômica aposta em uma retomada mais forte dos empregos sem carteira assinada já a partir do fim de 2020. Já a recuperação do emprego formal dependeria de mudanças legislativas, como a desoneração da folha de salários defendida pelo ministro Paulo Guedes.

O mercado de crédito, que foi fundamental para manter a economia rodando durante a pandemia, é o segundo fator essencial listado pela SPE para garantir o crescimento em 2021. O documento aponta a busca pelo governo pela melhoria da eficiência das garantias para gerar um aumento sustentável e eficiente do crédito para empresas e famílias.

No eixo de consolidação fiscal, o texto alega que o governo tem enviado ao Congresso propostas de ajuste como as PECs do Novo Pacto Federativo e da Reforma Administrativa, além da revisão de marcos setoriais que podem destravar investimentos em petróleo e gás, ferrovias, energia elétrica e cabotagem.

O texto cita ainda esforços para continuar a agenda de privatizações de estatais e lembra da continuidade do enxugamento dos bancos públicos, com a devolução de recursos ao Tesouro Nacional, além da possibilidade de novas transferências de recursos do resultado cambial do Banco Central ao órgão.

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