Anvisa afirma que decisão foi técnica

Torres alegou que as informações eram incompletas
Torres alegou que as informações eram incompletas - FOTO: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O presidente a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antonio Barra Torres, afirmou ontem que o órgão seguiu protocolos técnicos ao suspender os testes da vacina Coronavac, após o registro de um evento adverso em um voluntário dos estudos. De acordo com ele, a decisão foi tomada após a Anvisa receber a informação de um "evento adverso grave não esperado".

O imunizante, desenvolvido pelo Instituto Butantã em parceria com o laboratório chinês Sinovac, é testado contra o novo coronavírus. Com a medida da Anvisa, o produto não pode ser mais aplicado em nenhum voluntário. Em coletiva de imprensa, o diretor da Anvisa comparou à situação ao "VAR" do futebol, quando o árbitro do jogo aguarda uma confirmação técnica para tomar a decisão.

Com os documentos recebidos sobre o evento adverso, não era possível continuar com os testes pois as informações eram incompletas, disse o presidente da Anvisa, que é almirante e assumiu o cargo por indicação do presidente Jair Bolsonaro. O Instituto Butantã afirmou que o "evento adverso grave" observado em um voluntário brasileiro não teve nenhuma relação com os testes do imunizante. O órgão cobrou a Anvisa para retomar os testes no país e argumentou que a suspensão vai atrasar a vacinação e a proteção da população contra a doença. O desenvolvimento da vacina se tornou o centro de um embate entre o presidente e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), antecipando um cenário eleitoral em 2022.

A Secretaria de Estado da Saúde considera que suicídio foi a causa provável da morte do voluntário da vacina Coronavac, de acordo com as informações disponíveis.

Água no chope

O gerente-geral de Medicamentos e Produtos Biológicos da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Gustavo Mendes, afirmou que a notificação demorou três dias para chegar ao órgão regulador. A demora, informou, foi devido a um ataque de hacker contra órgãos federais.

De acordo com a agência, o evento adverso - a morte de um voluntário, segundo apuração do Estadão - teria ocorrido no dia 29 de outubro. A informação do instituto paulista, dada no dia 6 de novembro, só teria chegado à Anvisa no dia 9.

O presidente Jair Bolsonaro foi às redes sociais ontem condenar a vacina, criticar Doria e dizer que "ganhou mais uma", em referência a disputa política que vem ocorrendo entre o governo federal e o de São Paulo em torno do imunizante.

 

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