Indústria teme impacto ainda mais severo em caso de 2ª onda

Na iminência de uma segunda onda da pandemia do coronavírus (Covid-19), conforme vem ocorrendo na Europa e Estados Unidos, considerando o aumento substancial de casos nas últimas semanas, a indústria nacional teme ser atingida de forma ainda mais severa do que aconteceu no primeiro semestre deste ano.

De acordo com o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) do Alto Tietê, o que garantiu a manutenção da atividade na região foi a diversificação das indústrias na área. Porém, uma segunda onda, em um momento de recuperação e sem os recursos econômicos que ajudaram a suportar a primeira, traria enormes prejuízos para a região.

Para o vice-presidente do Ciesp no Alto Tietê, Renato Rissoni, o cenário é preocupante. Durante a entrevista ao Mogi News, ele também  traçou um panorama geral de como a indústria local enfrentou a pandemia. "Uma segunda onda com certeza interromperia a recuperação que temos sentido nos últimos meses. Ainda estamos em uma situação delicada e uma nova paralisação seria muito desfavorável porque as indústrias têm limites financeiros para suportar a pandemia e, ao contrário da primeira onda, muitos não dispõem mais de reservas econômicas, pois ainda tentam se reerguer", explicou.

Além das reservas que sustentaram a atividade das empresas, a situação só não foi pior para a região durante a primeira onda da Covid-19 por conta da diversificação do setor no Alto Tietê. "Temos mais de 1,9 mil empresas atuando na região e não temos um segmento predominante como em outras áreas do país. Aqui nós temos empresas de metalurgia, papel e celulose, químicas e plásticos, cimento, chumbo e produção de peças em geral. Essa diversidade é positiva porque as regiões com indústria vocacionada para um tipo único de produção costumam sofrer muito mais quando atingidas por uma crise", avaliou o vice-presidente.

De acordo com o Ciesp, desde julho as empresas foram retomando as atividades, mas ainda sofrem com problemas de abastecimento e compra de matéria-prima, além da fragilidade do comércio que ainda reage timidamente. Mesmo diante das dificuldades, Rissoni informou que não houve episódios de demissões em massa de funcionários na região, isso porque, na medida do possível, as empresas foram se adequando ao que a legislação permitia, dando férias coletivas adiantadas e reduzindo jornadas dos trabalhadores.

O número de contaminações por Covid-19 também foi pequeno entre os funcionários da indústria se comparados a outros setores. "Nada parecido com um supermercado ou shopping onde não há como ter um controle de entrada de pessoas. Na indústria, de uma maneira geral, o pessoal trabalha numa espécie de confinamento, é geralmente afastada dos centros e sempre dentro de um grupo fechado de funcionários", relatou Rissoni.

Em um menor grau o setor também aprendeu a fazer uso do home office, explicou o vice-presidente. Muitas atividades de apoio, como Recursos Humanos (RH), administração e marketing foram bem sucedidos na adaptação e até mesmo engenheiros que costumam se deslocar até a empresa para desenvolver os projetos agora fazem tudo de casa.

Desconsiderando a ameaça de uma segunda onda, a expectativa do Ciesp no Alto Tietê para 2021 é positiva. A entidade espera retomar os níveis de produção, mas admite que a situação depende de um cenário maior, que engloba a situação do país até mesmo no âmbito do comércio internacional.

*Texto supervisionado pelo editor.

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