Número de candidatos e abstenções tiraram vereadores do Legislativo

Segundo Komura, CEI 
se reunirá mais vezes por semana
Segundo Komura, CEI se reunirá mais vezes por semana - FOTO: Mogi News/Arquivo
Os vereadores em mandato que não se reelegeram para a Legislatura que se iniciará no próximo ano apontam como fatores para a derrota nas urnas a alta nas abstenções e a grande quantidade de candidatos em disputa neste ano.

Com 1.645 votos, o vereador Péricles Bauab (PL) é um deles. Com votação superior a de sete vereadores eleitos no último domingo por quociente eleitoral, o parlamentar recebeu cerca de mil votos a menos do que nas eleições de 2016 e culpa a alta abstenção de eleitores, causada principalmente pela pandemia da Covid-19, como motivo desta queda de engajamento. "Uma boa parte de quem não foi votar é idoso, que é justamente quem mais vota em mim. Os jovens não me conhecem", explicou Bauab que, além deste mandato que cumpre atualmente, foi vereador entre 2001 e 2004.

A quantidade de eleitores que não compareceu às urnas na eleição de primeiro turno em Mogi das Cruzes, no último domingo, é 57% maior do que o observado no pleito municipal de 2016 e acompanha previsão de especialistas que já apontavam para uma alta abstenção.

Cerca de 319 mil eleitores estavam aptos ao voto neste primeiro turno, entretanto, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 88.855 pessoas não exerceram o direito de escolher um candidato. De acordo com especialistas ouvidos pela reportagem, o aumento das abstenções ocorre em decorrência da pandemia de coronavírus (Covid-19) e o temor pelo contágio da doença.

Como motivo da perda de votos, Bauab ainda fez menção à denúncia do Ministério Público (MP) de suposta corrupção na Câmara, que aponta envolvimento de seis vereadores em esquemas ilícitos. "Quando a água está suja, ninguém reconhece os peixes lá em baixo", citou o vereador.

Já para o vereador Protássio Nogueira (PSDB), que recebeu 1.362 votos e aguarda decisão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) para ser o primeiro suplente de seu partido, o alto número de candidatos dispersou muitos votos. "O mais votado em 2016 (Caio Cunha) teve quase 6 mil votos, dessa vez, foi pouco mais de 3 mil (Marcelo Brás do Sacolão). Por exemplo, em Sabaúna, teve cinco candidatos, o que mais aceitação não chegou a 400 votos, e o distrito não elegeu ninguém", disse o parlamentar.

Com 586 candidatos ao Legislativo, a quantidade de concorrentes aumentou 48% nessas eleições na comparação com 2016, quando 395 disputavam as 23 cadeiras da Câmara Municipal. Além de Bauab e Nogueira, o vereador Claudio Miyake (PSD) também não se elegeu, assim como os seis denunciados pelo Ministério Público (MP) por suposta corrupção. Antônio Lino (PSD), Mauro Araújo (MDB), Diego Martins (MDB), e Francisco Bezerra (PSB), serão suplentes.

Futuro

Questionado sobre os planos profissionais de futuro, o vereador não eleito Mauro Araújo disse que não tem planos e quer descansar antes de analisar as propostas. "Meu plano é não ter planos. Viver cada dia. Neste momento, só quero descansar e curtir minha família. Com tranquilidade, vou analisar o que aparecer", respondeu o vereador.

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