Empresária nega irregularidade à CEI

Em depoimento prestado à Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Mogi, a empresária Carla Salvino Bento, proprietária da empresa de segurança privada investigada que firmou contrato com o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae), disse não ter conhecimento sobre as relações de José Pedro Beraldo, considerado por ela como seu funcionário de confiança, e o vereador Mauro Araújo (MDB). Ela ainda alegou que os valores depositados pelo parlamentar para sua empresa se tratavam de empréstimos para o pagamento da folha de salário, que foram pagos no mesmo mês do recebimento das quantias.

A empresa MF Assessoria e Serviços Eirelli, que mudou de nome para SOS Assessoria e Serviços Eirelli, consta na denúncia do Ministério Público (MP) como sendo de Carla. A promotoria aponta que foram realizadas diversas transações bancárias da SOS Assessoria para as empresas do vereador Mauro Araújo.

Beraldo, que faleceu no início deste ano, esteve em contato com o vereador Araújo por diversas vezes, segundo a promotoria. Segundo o MP, Beraldo era sócio oculto da empresa. Em algumas destas mensagens entre Beraldo e Mauro Araújo, é tratado sobre novas licitações municipais que estariam para ocorrer em Mogi e, de acordo com a Promotoria, solicitava auxílio ao parlamentar para que a empresa fosse favorecida em alguns desses certames.

Na manhã de ontem, quando questionada pela CEI, Carla afirmou que jamais pediu favores ao vereador e que não se utilizava do contato com ele para seu benefício próprio. "Se meu funcionário fazia isso (pedir apoio do vereador para vencer licitações) eu não estava ciente", disse. "Fiquei sabendo disso agora. Foi um choque para mim", completou.

Carla estava acompanhada de dois advogados e foi ouvida pelos vereadores integrantes da CEI - o presidente, Pedro Komura (PSDB); o membro, Rodrigo Valverde (PT); e o relator Clodoaldo de Moraes (PL).

Quinta que vem

Para a próxima quinta-feira, o grupo já definiu quem deve ser ouvido. Às 8 horas, Pablo Bezerra, dono da empresa São Francisco, suspeito de pagar propina para favorecimento em contrato. Entre 8h30 e 9h30, os secretários municipais de Gestão, Marcos Regueiro, e de Saúde, Henrique Naufel. A partir das 9h30, representantes da Fundação ABC, que administra o Hospital Municipal de Braz Cubas.