Para especialista, cobrança da população será fundamental

Os 23 vereadores eleitos em Mogi das Cruzes para a legislatura que se inicia no ano que vem aguardam a definição das eleições municipais para prefeito neste segundo turno, que ocorrerá no domingo, para ter uma ideia de como será o andamento dos trabalhos junto à Prefeitura de Mogi. Caso o eleitorado opte pela reeleição de Marcus Melo (PSDB), ele contará com a maioria de vereadores aliados na Câmara Municipal, com ao menos 15 parlamentares de sua base atual. Já Caio Cunha (Pode), caso assuma o Executivo, terá apenas quatro parlamentares que compõem seu grupo político.

Ser prefeito com a maioria consolidada na Câmara Municipal facilita o trabalho do Executivo, com a possibilidade de imprimir sua agenda de desenvolvimento para o município. Entretanto, no mesmo cenário, ter o Legislativo alinhado ao Executivo aumenta a necessidade de maior participação da população, para que haja a garantia de que as pautas trabalhadas nos poderes sejam legítimas e de interesse municipal. Tais avaliações são do cientista político e professor Afonso Pola. Para ele, o fato do chefe do Executivo, em cenário hipotético, alheio ao de Mogi, ter a superioridade numérica na Câmara Municipal não deve significar uma situação onde o prefeito aprova tudo que ele quer sem que haja questionamentos. "Em uma situação hipotética, se o prefeito tem a maioria de aliados na Câmara Municipal, mas esse Legislativo não exerce o papel de questionar e fiscalizar o Executivo, sem fazer a ponte com a população, de nada adianta", explicou o espacialista.

Em sua visão, a eleição de um líder do Executivo sem maioria do apoio no Legislativo exige deste político habilidade e diálogo com a Câmara, para que ele consiga compor uma nova base de vereadores. Para que não haja o risco de que barganhas políticas sejam feitas, o especialista Afonso Pola sugere, novamente, a participação da população e transparência no Executivo.

"Os acordos políticos dentro da legalidade também favorecem os vereadores, que têm uma eleição daqui quatro anos e precisam apresentar resultados à população", explicou Pola. "Por isso, é indispensável transparência e muita participação da população", cobrou o especialista.

Renovação

Dos 23 vereadores eleitos no último dia 15, 14 não são vereadores atualmente. Na atual Legislatura, apenas dois vereadores foram oposição ao longo dos quatro anos na Câmara Municipal - Rodrigo Valverde (PT) e Iduigues Martins (PT). Mais recentemente, o então vereador Caio Cunha, ao mudar de sua antiga sigla, o PV, para o Pode, também fez coro junto aos petistas. (F.A.)