É hoje: Melo ou Cunha?

Entrevista especial com o prefeito de Mogi das Cruzes Marcus Melo
Entrevista especial com o prefeito de Mogi das Cruzes Marcus Melo - FOTO: Mariana Acioli
Após duas décadas, Mogi das Cruzes vai viver hoje uma disputa para a Prefeitura da cidade em segundo turno. Marcus Melo (PSDB) e Caio Cunha (Pode) ficaram com 42,3% (81.555 votos) e 28,3% (54.591 votos) dos votos válidos, respectivamente, no primeiro turno e decidem hoje quem assumirá o posto mais alto do Executivo mogiano para os próximos quatro anos.

Tendo de adaptar suas estratégias para a campanha do segundo turno, os candidatos recomeçaram a busca por votos um dia após a realização do primeiro turno. Na segunda-feira retrasada, Melo já estava nas ruas junto aos eleitores e Cunha preparava estratégias para vencer o adversário.

Já a reta final da campanha foi marcada pela adesão pública de políticos relevantes da cidade. Enquanto Marcus Melo recebeu apoio recente do ex-prefeito Junji Abe (MDB) e do deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), Caio Cunha promoveu coletiva de imprensa ao lado de Rodrigo Valverde (PT) e Felipe Lintz (PRTB). Ambos políticos disputaram o primeiro turno, mas não foram aptos a concorrer ao Executivo no segundo turno. O vereador petista e o jovem político declararam apoio ao candidato Cunha.

No segundo turno mais rápido da história das eleições municipais (com apenas duas semanas de distância entre as votações), o embate entre os candidatos foi intenso. Marcus Melo se apresentou a todo momento como uma figura mais experiente que Caio Cunha, chamando seu adversário de mentiroso em diversas oportunidades. O tucano chegou a associar por diversas vezes a imagem de Cunha ao PT, afirmando que, caso ele vença, o partido estará no poder em Mogi das Cruzes.

Já Cunha atacou o prefeito em temas sensíveis à população, como o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) em 2017, a falta de posicionamento claro do chefe do Executivo no caso da prisão por suspeita de corrupção dos parlamentares de sua base e o silêncio de Melo sobre a possível instalação de uma praça de pedágio na rodovia Mogi-Dutra (SP-88).

Tanto Melo quanto Cunha apresentaram suas versões sobre todos os assuntos tratados e tentaram convencer, principalmente durante os debates eleitorais, que estavam com a razão em suas ações.

Neste segundo turno, três debates foram realizados. O primeiro promovido pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Mogi das Cruzes, o segundo pela Rádio Metropolitana e o terceiro pela TV Diário, na noite de ontem. Ambos contaram com grande audiência e serviram para que o eleitor tomasse a decisão que será confirmada hoje.

A última vez que o pleito municipal foi decidido pelos mogianos em segundo turno aconteceu em 2000, entre Junji Abe (PSDB) - que viria a ser eleito posteriormente - e seu oponente, Francisco Moacir Bezerra (PMDB).

Em reportagem do início de outubro, o sociólogo e professor Afonso Pola já avaliava que em eleições com quantidade elevada de candidatos, como a deste ano entre sete concorrentes, as chances do resultado sair apenas no segundo turno ficavam maiores. Para o especialista, neste cenário ocorre uma "divisão de votos tidos como certos para políticos à frente nas intenções do eleitor".

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