Retrocesso à fase amarela trará prejuízos ao comércio regional

Diante da possibilidade da região retroceder à fase amarela do Plano São Paulo, na próxima segunda-feira, as associações comerciais de Mogi das Cruzes e do Alto Tietê alertam que o setor deverá ser gravemente prejudicado. De acordo com entidades que representam o segmento, a mudança impactaria negativamente nas vendas de final de ano, as mais importantes do calendário para o Comércio e muito esperadas para recuperação do setor após meses de vendas abaixo do esperado em razão da pandemia de coronavírus (Covid-19). A manutenção ou retrocesso será anunciado pelo governo paulista.

Atualmente, o Alto Tietê, e as demais cidades da Região Metropolitana de São Paulo, se encontram na fase verde mas, conforme apuração da reportagem e apontamentos do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), há possibilidade da região retroceder para fases mais restritivas do Plano SP, como a amarela e até mesmo laranja.

O retorno poderá ocorrer devido ao aumento de casos confirmados de coronavírus e, principalmente, de internações nas últimas semanas. O temor é que uma segunda onda atinja o Estado nos próximos dias, como já ocorre na Europa e nos Estados Unidos, que enfrentam recordes de casos diários.

Sobre a possibilidade de retrocesso do Alto Tietê nas fases do Plano SP, o presidente da Associação Comercial de Mogi das Cruzes (ACMC), Marco Zatsuga, ressaltou que, se isso ocorrer, o comércio será altamente prejudicado, principalmente por ser final de ano, época mais esperada pelos lojistas.

"Normalmente, nesta época, já se prepara o funcionamento das lojas até a noite e nos finais de semana. Agora, corremos o risco do comércio ser obrigado a fechar as portas mais cedo e permitir o acesso de uma quantidade menor de pessoas nas lojas, o que vai refletir direto nas vendas", argumenta o dirigente.

"Além disso, entendemos que quanto menos horas de funcionamento, maior é a concentração de consumidores nas ruas, o que amplia os riscos de contaminação", acrescenta o dirigente ao lembrar que o comércio foi muito prejudicado pelo longo período de quarentena com as lojas fechadas.

Valterli Martinez, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Mogi das Cruzes e Região (Sincomércio) compartilha da mesma opinião sobre os impactos negativos de redução no horário de funcionamento do comércio. "Uma redução do horário só geraria mais aglomerações, transtornos e riscos porque a população não vai deixar de fazer as compras de Natal e quando se depararem com lojas fechando mais cedo vão gerar ainda mais aglomerações nas ruas", apontou.

Martinez alerta que os impactos de novas restrições seriam ainda piores do que ocorreu no primeiro semestre do ano. "Será pior do que a primeira onda porque no começo muitos comércios aguentaram a situação por conta de suas reservas econômicas mas agora todos estão em plena fase de recuperação. Se voltar a fechar não terá comércio que sobreviva até janeiro", completou.

Questionado se a fase amarela manteria as mesmas restrições originais, que tanto temem os comerciantes, o governo do Estado não deu detalhes e informou apenas que o assunto em questão será objeto de entrevista coletiva na segunda-feira, no Palácio dos Bandeirantes.

*Texto supervisionado pelo editor.