Trump ou Biden

A eleição presidencial dos Estados Unidos, realizada oficialmente ontem, ainda vai demorar algum tempo para decretar o vencedor. O sistema eleitoral no país é completamente diferente do brasileiro, com boa parte dos votos enviada antecipadamente pelo correio. Além disso, os eleitores não escolhem diretamente o presidente, mas o grupo de delegados estaduais que desempenhará esta tarefa. A ideia simples de um eleitor, um voto, como o sistema utilizado no Brasil, não é praticada por lá, o que pode resultar, em algumas ocasiões, na vitória do candidato com menor preferência do eleitorado. É uma distorção difícil, mas possível.

A disputa norte-americana entre o republicano Donald Trump, atual presidente que tenta e reeleição, e o democrata Joe Biden, que espera retomar a chefia nacional para o seu partido, foi considerada pelos especialistas uma das mais equilibradas e tensas dos últimos 50 anos e que, pelo radicalismo dos oponentes, deve ter um número recorde de votos. O resultado, independentemente de qual seja, levará reflexos ao mundo inteiro, principalmente na questão econômica.

É provável que Trump, caso reeleito, intensifique suas críticas declaradas à China, a quem considera responsável por tudo de ruim que está acontecendo no planeta, a começar pela autoria do coronavírus. Biden, por sua vez, usará um governo mais conciliatório, procurando resgatar a diplomacia e a abertura comercial conquistada por Barak Obama, o último presidente democrata, de quem era vice. Trump também se deu mal pelo desempenho sofrível no combate à Covid-19 e na postura radical que permitiu à polícia usar força desmedida contra os negros.

A pergunta, porém, é qual vencedor seria mais interessante para o Brasil? Jair Bolsonaro tem bebido na fonte de Trump e também reverbera o discurso extremista contra a China. Caso Biden vença, ele pode deixar o Brasil isolado por ter apoiado Trump. No Alto Tietê, fechar relações comerciais com a China seria muito ruim, pois as cidades da região possuem grande volume de exportação e de importação com o país asiático. Mas também teria prejuízos com o isolamento brasileiro do mercado americano. Oh! Dúvida cruel.