Mick Jagger

Caso Donald Trump não seja reeleito nos EUA, o presidente Bolsonaro pode se tornar o Mick Jagger político. O apoio a Macri na eleição argentina resultou em derrota do apoiado e se Trump seguir o mesmo caminho, Bolsonaro será, de fato, nosso Mick Jagger político. O cantor tem fama de pé frio, algo que parece ser uma característica do presidente brasileiro em apoios eleitorais.

Não compete e nem é conveniente que o presidente do Brasil, ou qualquer outra, se pronuncie sobre eleições de outro país, muito menos sobre qual candidato prefere que vença. Seja quem for o presidente dos EUA, a relação com o Brasil não muda, pois não são relações entre presidentes, mas entre nações.

O Brasil não ganhou nada de relevante ou especial no trato com os EUA sob a presidência de Trump a justificar a preferência pessoal de Bolsonaro. Muito pelo contrário, o slogan de Trump é América primeiro e logicamente o Brasil não é o segundo. Não podemos partidarizar as relações com outras nações, precisamos atender aos nossos interesses comerciais. A busca desse equilíbrio passa ao largo das preferências pessoais de seus mandatários. Existem milhares de negócios, empresas e contratos que unem às nações. Bolsonaro quer demonstrar que está alinhado politicamente aos EUA e a Israel, mas é impossível ignorar o volume de negócios com o mundo árabe, Rússia e China. Aliás criticar a China e continuar consumindo e utilizando tudo que é lá manufaturado é hipocrisia. Milhares de marcas brasileiras e americanas utilizam o parque industrial chinês para abastecer o mundo em razão dos preços predatórios que praticam e assim geram lucro para essas empresas e ninguém se preocupa com as condições de trabalho na China, a liberdade ou democracia, mas o preço. O discurso pró EUA e anti-China e só isso, discurso. Na prática os negócios continuam a todo vapor não só entre o símbolo do capitalismo democrático e a ditadura chinesa, mas também conosco, que exportamos grãos e importamos informática e como lá não há eleição, o nosso provável Mick Jagger eleitoral não dará palpites.