Busca da emancipação individual

A anomia, ausência de regras e de organização, sobre a qual flutua o ensino atual pode ser declaradamente atribuída à crise de autoridade, à ausência de imposição em aprender, culto à inércia e à indiferença. Em lugar de responsabilidades, só direitos, do educando! Seria a restauração dessa autoridade indispensável ao ensino, como ao saber-viver em sociedade?

Opor um tempo revolucionário, onde reinava a autoridade, à época atual (a partir de quando?), como se ela tivesse desaparecido para ceder lugar a um certo tipo de caos, remete à consideração de que a aprendizagem resulta diretamente do exercício de autoridade: quem sabe manda e obedece, quem tem juízo! Entendê-la como uma forma de constrangimento, ou sob a influência no quadro de uma relação hierárquica, implica em reconhecer que o ensino não visa senão submeter as gerações mais jovens. Raciocinarmos dessa forma não tem o menor sentido. Posição que chega ao absurdo de justificar todas as revoltas e todas as recusas!

Mas, e se tudo isso for de fato necessário para que o indivíduo aprenda realmente? E que ao se apropriar desses conhecimentos, eventualmente, consiga como recompensa, progredir? Essa pode caracterizar a autoridade sob outro prisma, ligado à admiração e ao reconhecimento devido ao direcionamento a eventual superioridade, em um campo definido; esse pode ser o desejo de crescer, ou enfim, sob o privilégio de métodos ativos, a busca do prazer aliada à realização pessoal.

A instituição escolar, no decurso de sua história, tem promovido um compromisso entre essas formas de relação, ao saber e à autoridade, e tem fornecido um quadro que tem atendido tanto bem como mal esses dois diferentes modos de relação, ao saber e ao existir, volta à volta, irregularmente, de tal sorte que um estudo preciso de suas modalidades restam sempre necessárias. Ela foi o dispositivo de uma ligação intergeracional e um recurso colocado à disposição dos sujeitos se identificarem por meio do desejo de saber.