Conjecturas

O exercício de imaginação é inerente à tarefa jornalística. Especular a respeito de tendências políticas, com fundamentação em fatos históricos recentes somados às características de novos protagonistas, conduzem a avaliações muito próximas da realidade. Há ciência e há o imponderável, por isso, nem sempre o veredicto é confirmado. A explanação serve para compreender as possibilidades de comportamento dos vereadores de Mogi das Cruzes na próxima legislatura. Tudo depende, é verdade, de quem será o vencedor no segundo turno da eleição para prefeito: Marcus Melo (PSDB) ou Caio Cunha (Pode).

Na composição atual, sempre considerando um cenário hipotético, Melo teria 17 vereadores o apoiando e Cunha os outros seis. Assim, de imediato, é possível dizer que o tucano, caso eleito, teria a maioria na Câmara e poderia governar com tranquilidade, ao menos em relação ao posicionamento do Legislativo. Já Cunha enfrentaria uma oposição mais consistente e precisaria de acordos com alguns vereadores para aprovar seus projetos. A dúvida é se ele estaria disposto a negociar politicamente para atingir seus objetivos.

Exemplo recente mostra que a resistência a composições não traz frutos saborosos. O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), só conseguiu apoio no Congresso Nacional depois que decidiu negociar com o Centrão. Isso significou, inclusive, a oferta de cargos no Executivo. Antes de agir politicamente, Bolsonaro amargou uma colheita deficitária no exercício do poder. Radicalismo, comprovadamente, não é o melhor caminho.

No caso de Mogi das Cruzes, independentemente de quem seja o vencedor nas urnas daqui a dois domingos, Melo ou Cunha, o eleito precisará ser um bom negociador com os parlamentares. A renovação de 60% na Câmara indica que os 14 novatos vão iniciar o mandato comprometidos com o discurso mais combativo, utilizado durante a campanha. Ao menos no início, o Legislativo deve viver um período de autonomia monitorada, porém, só o tempo vai determinar o nível de relação entre prefeito e vereadores. A cidade espera por harmonia e que a próxima legislatura seja promissora.