Lavagem cerebral

As cenas que ocorreram em um supermercado de Porto Alegre (RS), onde João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, foi espancado até a morte, repercutiram no Brasil e fora dele. O assassinato do homem, que era negro, foi cometido por dois seguranças do estabelecimento, ocorreu na noite de quinta-feira, após ele e a esposa comprarem ingredientes para fazer pudim, mas um desentendimento entre a vítima e uma segurança ou caixa do local - isso será apurado pela Polícia Civil - levou ao espancamento de Freitas, mas sua ampla divulgação ocorreu ontem, data da celebração do Dia da Consciência Negra.

Um país, por mais que seja desenvolvido, tenha qualidade de vida e bons índices de emprego e renda, jamais poderá se vangloriar de seu sucesso se ainda tiver crimes de racismo, intolerância religiosa - ou qualquer outra - além de violência contra crianças e mulheres. Este país certamente terá falhado na formação de sua sociedade; e estamos caminhando por esta via se insistirmos com esse modelo.

O crime desta quinta foi filmado e resultou em morte, notadamente a repercussão ultrapassou as fronteiras brasileiras, mas, talvez em menor grau, e inclusive no Alto Tietê, podemos ver cenas de racismo e desconfiança que provavelmente não veríamos pessoas de cor branca sofrendo.

Educação, Saúde, Segurança e Emprego sempre são as bandeiras dos políticos, mas são poucos que falam da igualdade entre pessoas de cores diferentes. Classificar alguém pela cor da pele beira ao colonialismo, e talvez seja este os desafios que os próximos prefeitos da região - os que já foram eleitos e os que serão escolhidos daqui a dois domingos - tenham de encarar.

Além do racismo em si, há outro ponto que deve ser duramente combatido: a ilusão de que o racismo não existe, há poucas bobagens que se assemelham a esta. O racismo e a discriminação estão aí, a olhos vistos, não percebe quem não sofre contra esse tipo de violência.

O trabalho para extirpar essa mentalidade tacanha deve ser feito o quanto antes, uma espécie de lavagem cerebral, como pregava a música de mesmo nome do cantor carioca Gabriel O Pensador, em 1993. Ainda dá tempo de mudar isso.