Degeneração humana

O mundo tem andado um tanto estranho já faz algum tempo. Mas tenho a impressão que esse processo tem se intensificado muito. Muitas coisas horríveis acontecendo sem que haja um grande intervalo de tempo entre elas.

Nunca tivemos tanta tecnologia à disposição, mas também nunca tivemos tanta fome pelo mundo afora. Temos quase um bilhão de famintos (821 milhões). A severidade dessa crise é tão grande que o PMA (Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas) recebeu o prêmio Nobel da Paz, numa decisão que serviu de alerta ao planeta sobre o impacto da pandemia.

Para a entidade, o risco é de uma "pandemia da fome". O PMA alerta que a pandemia da Covid-19 irá empurrar um enorme número de pessoas para a fome. O resultado será a transformação numa crise social que ameaçaria a paz.

A maior parte das vítimas da fome são pessoas negras. Idosos, homens, mulheres e crianças negras constituem a grande maioria desse exército de famintos. Mas o problema não é só a fome que atinge. Pessoas negras morrem mais de forma violenta. Jovens negros morrem mais. A população carcerária no Brasil, que já supera a casa dos 800 mil é em sua grande maioria composta de jovens negros.

Escuto com muita frequência pessoas brancas com discurso de relativização desta questão. Ela é séria. Como diz aquela beleza de obra do Caetano e Gil, "o Haiti é aqui, o Haiti não é aqui."

Pois bem. Na última quinta-feira, véspera do Dia da Consciência Negra, em Porto Alegre, mais precisamente numa loja do Carrefour, Beto (João Alberto Silveira Freitas), um homem negro foi espancado até a morte por um segurança do supermercado e por um policial militar. A brutalidade da ação é chocante demais e absolutamente injustificável. Aproximadamente 15 pessoas acompanharam as cenas ao vivo.

A maior parte das imagens mostra a imobilização com uso da perna flexionada do segurança sobre as costas de Beto, lembrando um tanto o caso do George Floyd morto por um policial nos EUA.

Estamos caminhando a passos largos para a barbárie.