Jogo de detalhes

Inspirado no clássico jargão futebolístico, usado para definir partidas equilibradas, o segundo turno da eleição em Mogi das Cruzes, entre Marcus Melo (PSDB) e Caio Cunha (Pode), será decidido nos detalhes. Sem favoritos visíveis, a definição do vencedor ficará reservada aos últimos dois dias da campanha. No domingo, ao que tudo indica, há possibilidade para qualquer um dos concorrentes sair vitorioso das urnas.

Nesta semana, alguns temas discutidos entre os oponentes podem ser classificados como os "detalhes" da competição; a começar por um dos assuntos mais delicados da administração municipal: o futuro do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU). Cientes da importância do tema, os dois candidatos prometem não mexer na taxa para o próximo ano, o que é plausível em período de campanha. Mas Cunha tem batido na tecla do passado de Melo como prefeito, que aumentou o imposto e que, assim, pode fazê-lo novamente.

Por outro lado, o atual prefeito ganhou nos últimos dias apoios de peso no cenário político. O deputado federal e ex-prefeito Marco Bertaiolli (PSD) e o também ex-prefeito Junji Abe (MDB) foram a público mostrar sua preferência por Melo. Tratam-se de pessoas com um grande número de simpatizantes e que, definidos a favor do atual prefeito, podem decretar a vitória do candidato tucano. De seu lado, Cunha conseguiu a adesão de Rodrigo Valverde (PT) e de Felipe Lintz (PRTB), candidatos que ficaram em terceiro e quarto lugares no primeiro turno, mas que somaram cerca de 50 mil votos. Um "detalhe" que pode favorecer o atual vereador Cunha.

Como prefeito, Melo também deve tirar proveito do anúncio das obras municipais concluídas ou em andamento, como a Maternidade Municipal, em Braz Cubas, e a Central de Inteligência da Guarda Municipal, no Socorro. Benefícios para a população, em geral, são ótimos cabos eleitorais e devem se transformar em votos decisivos. Cunha tem discurso e postura de oposição, o que sempre traz força política nos momentos de transição.

Para encerrar a questão da indefinição do pleito municipal, basta lembrar de um ditado popular, antigo, mas sempre atual: de barriga de mulher grávida, cabeça de juiz e urna eleitoral nunca se sabe o que pode sair.