Potência agrícola

A região briga, por meio do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), para ser sede de uma das 17 regiões administrativas do Estado no setor da Agricultura. Esta, na realidade, é uma contraproposta do Condemat, em face à iminente extinção das Casas de Agricultura, iniciativa que contribui para o desenvolvimento do segmento, não só no Alto Tietê, mas também em outras regiões do Estado. Na região, existem Casas de Agricultura em Mogi das Cruzes, Suzano, Salesópolis, Guararema, Biritiba Mirim e Santa Isabel.

É legitimo que cada região paulista, seja ela da Grande São Paulo, litoral ou interior, queira a instalação de uma dessas regionais, mas o Alto Tietê, mais precisamente Mogi, neste caso, tem números que podem comprovar a relevância do agronegócio nesta porção lesta da Região Metropolitana de São Paulo.

Um estudo elaborado pela Casa de Agricultura de Mogi, em 2014, e registrado no site biológico.sp.gov.br, mostrou a participação percentual da produção agrícola em relação ao Brasil. Utilizando dados apenas de Mogi, foi revelado que a produção de alface no município representa 40% do cultivo dessa hortaliça no país, já os cogumelos comestíveis e as nêsperas correspondem a 80% da produção brasileira. Caqui, flores e demais hortaliças representam 50%, 25% e 45%, respectivamente, do cultivo nacional.

São números de respeito e que devem ser considerados pelo governo do Estado antes de divulgar onde serão implantadas estas regiões administrativas. Não à toa, Mogi e demais cidades de produção agrícola estão no chamado Cinturão Verde do Estado, responsável por parte do abastecimento de frutas, legumes e verduras, além de filtrar a poluição gerada pela macrometrópole e garantir parte do abastecimento de água da Região Metropolitana.

Nada mais justo que o Alto Tietê ser uma dessas sedes, mas, para além dos números, produtores e prefeituras precisam comprar essa briga também de forma individual, a fim de garantir uma das regionais. A região é uma grande produtora do setor e deve ser levada em consideração pelo Estado.