Vereadores denunciados rebatem acusações do Ministério Público

Os vereadores apontados pelo Ministério Público (MP) por suposta corrupção dentro do Legislativo começaram a ser ouvidos ontem pela Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara Municipal, que investiga as denúncias de irregularidades do grupo de parlamentares.

Ontem pela manhã, Antonio Lino (PSD), Carlos Evaristo (PSB) e Diego de Amorim Martins (MDB) foram ouvidos na sede da Câmara e reforçaram o que suas defesas afirmam desde o início do processo. Os parlamentares disseram que os depósitos bancários feitos em suas contas pelo parlamentar Mauro Araújo (MDB) se tratavam de empréstimos pessoais, sem ligação com uma possível compra de apoio político na Casa, como aponta a Promotoria.

O primeiro a ser ouvido foi o parlamentar Antonio Lino. O vereador rebateu a denúncia que afirma que ele apresentou à Câmara o Projeto de Lei 163/2019, da lei de alteração do parcelamento do solo urbano, para favorecer interesses de empresários, tema também investigado pelo MP. Segundo ele, o projeto apresentado visava tirar a obrigatoriedade de se construir áreas de lazer em pequenos empreendimentos residenciais, para que o empreendedor pudesse ocupar o terreno com mais casas.

"O MP me acusa de favorecer grandes empresários e isso não tem cabimento, porque essa lei não favorece as grandes empresas, e sim, os pequenos empreendedores", alegou.

No mesmo sentido, o segundo interrogado, vereador Carlos Evaristo (PSB), também reforçou a narrativa de se tratar de empréstimos que foram quitados. Além dos empréstimos, o parlamentar disse que, cerca de R$ 25 mil do total depositado em sua conta se trata da venda de um automóvel.

"Gostaria de dizer que um corrupto não faz isso (repasses de valores) por conta bancária. Se fosse por corrupção, não seria por conta bancária", argumentou Evaristo.

O vereador ainda fez críticas às campanhas à Prefeitura de Rodrigo Valverde (PT) (membro da CEI) e do prefeito eleito, Caio Cunha (Pode), por ter utilizado o caso como plataforma política. "Falei somente a verdade. Durmo com a consciência tranquila", respondeu o petista durante o interrogatório.

Por último, Diego de Amorim Martins (MDB) foi ouvido e disse que os valores foram emprestados por Araújo enquanto seu amigo, e não como vereador. "O primeiro empréstimo foi feito em 2018, oito meses antes do projeto do Plano Diretor ser votado na Câmara. O projeto nem estava na Casa ainda", se defendeu. "Já o segundo, foi feito nove meses depois", justificou.

Durante a oitiva de Diegão, o membro da CEI, Rodrigo Valverde, disse que poderia ter havido mais investigações antes da prisão, e que, como jurista - já que é formado em Direito - a prisão de alguns vereadores era incabível.

A expectativa do presidente da CEI, Pedro Komura (PSDB) é de que, após ouvir os outros vereadores, o que ocorrerá amanhã, o relatório final comece a ser produzido para conclusão antes do fim deste mandato. Francisco Bezerra (PSB), Jean Lopes (PL) e Mauro Araújo (MDB) completam a lista dos parlamentares que serão ouvidos.

Fundação ABC

O vice-presidente da Fundação ABC, Luis Mário Gomes, que à época do contrato com a Prefeitura era representante da instituição, também foi ouvido e disse que jamais teve conhecimento de alguma ligação do Executivo com outras empresas que prestam serviço ao grupo que administra.