Priscila Yamagami entrevista ping-pong

Em 460 anos de história, Mogi das Cruzes nunca teve uma mulher eleita pelo voto para o Executivo. Com a maior participação do público feminino na política, mais evidente nas últimas décadas, se tornou quase que impossível frear a representatividade das mulheres dentro da Prefeitura de Mogi das Cruzes.

Em 2020, a eleição do prefeito Caio Cunha (Pode) para chefe do Executivo conseguiu fazer história elegendo a primeira mulher para vice-prefeita da cidade, ou como o grupo prefere que seja denominado, a co-prefeita. A professora Priscila Yamagami (Pode) atua no Ensino Superior e tem experiência em Gestão de Mercado, Comunicação, Marketing e Vendas.

Nesta entrevista, Priscila fala

Mogi News: Qual o sentimento de participar deste momento histórico de quebra de um ciclo de prefeitos do mesmo grupo político e ser a primeira mulher eleita no Executivo?

Priscila Yamagami: O sentimento é de gratidão ao Caio (prefeito eleito) e à nossa turma do projeto, pela confiança e parceria que fizemos, agradeço ao grupo por enaltecer meu trabalho me convidando para a candidatura. Agora como co-prefeita é uma emoção por ter o privilégio de viver esse momento histórico. Sabemos que o desafio é enorme, a caminhada vai ser árdua, mas a gente está muito animado para representar a vontade da população. Foi difícil, e ao mesmo tempo gratificante. As dificuldades viraram um impulso.

MN: O que significa título de co-prefeita tão falado durante a campanha?

PY: Normalmente o cargo de vice-prefeito é um cargo de expectativa de substituição, quando o prefeito faz algo fora da cidade ou adoece. O cargo também sempre foi tratado como barganha política. Dessa vez, eu fui a primeira escolha técnica do mandato, eu venho como professora ligada ao empreendedorismo, represento uma escolha técnica, não politica. Não vou esperar o momento para atuar, eu já tenho conversado com lideranças, com segmentos da sociedade, educação desde já. Eu vou dividir com o Caio as responsabilidades de prefeito, pois a cidade é grande e tem muitas demandas. Não vou ser uma vice de fotos, a cidade vai ter dois prefeitos, óbvio que o Caio com o poder de decisão na mão. Até nisso estamos inovando, tomando decisões juntos, e isso me valoriza enquanto profissional.

MN: Como fazer esse papel de articulação entre as secretarias que já foi destinado à senhora?

PY: A gente tem o projeto que entra com as pessoas como foco. As pessoas que vêm vindo com a gente precisam estar conectados com esse propósitos. Quando trabalhamos as Pastas, os serviços, as instituições tudo tem um propósito, e precisamos de alguém para conversar com as secretarias e interligar os trabalhos realizados na mesma direção.

MN: A senhora vem da área de educação e empreendedorismo. O que já vislumbra que pode melhorar nestes setores? O que pretende implantar logo nos primeiros dias?

PY: Creio que na educação o primeiro passo importante é valorizar os professores em todos os sentidos. Vamos promover uma escuta ativa, criar um canal diálogo, para que eles se sintam seguros. A primeira coisa que quero fazer é sentar num espaço com nossos professores, coordenadores e todos colaboradores e conversar com eles, criar o diálogo, isso é o que eu mais espero. Nessa posição que estou hoje, com o braço mais longo para ajudar, precisamos criar esse elo de troca com eles para que se sintam em um ambiente seguro. Sabemos que assim, os professores vão trabalhar melhor e o resultado final também melhora.

Já no empreendedorismo, vamos trabalhar forte a parte de desenvolvimento econômico articulado com diversas pastas como Educação, Assistência Social, Agricultura, Saúde, Esporte, Cultura, e outras. Elas têm que se conversar, se não conversarem não conseguimos desenvolver a cidade.

MN: Sobre a pandemia da Covid-19, como encara esse desafio e como concliar a saúde das pessoas com a economia?

PY: É um desafio grande, mas a gente já adquiriu nas áreas, em especial na Saúde, alguns meses de conhecimento desse cenário pandêmico. Agora é aproveitar o aprendizado dessa segunda onde, com muito critério, muito cuidado, focando muito na saúde das pessoas mas também equilibrando com a questão econômica. Pessoas não podem vir a sofrer o sacrifício da doença mas também não podem sofrer por não conseguir colocar comida na mesa, de sustentar a família. Esse equilíbrio é muito importante. Precisamos analisar cada segmento, porque entendo que cada segmento tem seu risco e suas peculiaridades, tudo isso em cima de dados, evidência e dos cuidados que precisam ser tomados.

MN: O fato de ser a primeira mulher no Executivo traz uma responsabilidade, uma cobrança a mais feita pela senhora?

PY: Tenho uma história em Mogi, são 33 anos de mercado aqui. Isso me dá lastro para ter confiança no meu potencial, eu sei que sou capaz, modestamente falando, e tenho apoio do prefeito e quem vem junto. É claro, eu sei que é um ambiente novo, não e fácil, exige articulação, política, competência técnica. Não almejo outras coisas, financeiramente estou bem, não ligo para cargos.

Penso que sou a primeira mas não posso ser a última, preciso que mais mulheres participem do processo de serem protagonistas nas suas atividades.

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