'Fase amarela é um alerta', diz secretário Henrique Naufel

A Secretaria Municipal de Saúde de Mogi das Cruzes declarou que a reclassificação para a fase amarela do Plano São Paulo é um alerta para a população. A medida teve início ontem (leia abaixo) e se antecipa a uma possível escalada no número de novos casos e internações de Covid-19. De acordo com a Pasta, maiores restrições ainda podem ser impostas caso a população desrespeite o distanciamento social e não colabore com as medidas de combate ao coronavírus.

Segundo Henrique Naufel, secretário municipal de Saúde, a medida é um alerta para toda a população. "Ninguém sabe aonde esse aumento de internações poderá nos levar, todos os epidemiologistas erraram em seus prognósticos sobre a duração da pandemia. O retorno para a fase amarela é um sinal de alerta e uma tentativa de nos anteciparmos aos números e garantir que não faltem leitos para nenhum paciente", declarou.

Naufel aponta que a medida veio em um momento em que a população relaxou ao deixar de evitar aglomerações e fazer uso de máscaras. O secretário também deixou um recado para aqueles que tentam descredibilizar a necessidade da reclassificação. 

"Se todos esses que acham que a mudança de fase foi uma decisão política tivessem feito sua parte e colaborado com o distanciamento, talvez hoje não houvesse a necessidade da decisão do governo do Estado. A doença não acabou e o vírus ainda está circulando", destacou o secretário Naufel.

Em contrapartida, Raul Canal, presidente da Sociedade Brasileira de Direito Médico e Bioética (Anadem), afirma que o retrocesso para a fase amarela em São Paulo e maiores restrições verificadas em outros Estados são frutos políticos e não científicos.

"Já vimos isso acontecer no começo da pandemia, esperaram o Carnaval passar para só depois darem os alertas necessários. O vírus não adormeceu durante o período eleitoral e ter regredido para uma fase mais restritiva logo no dia subsequente à votação do segundo turno deixou bem claro que a medida não foi tomada pensando no bem estar da população", disse.

O dirigente da Anadem também discorda do modelo de isolamento adotado em São Paulo e acredita que uma redução no horário de funcionamento dos estabelecimentos será responsável por ainda mais aglomerações. "Desde o início da pandemia tenho defendido o isolamento transversal, ao isolar apenas as pessoas do grupo de risco e os já infectados colheríamos resultados muito mais positivos, reduzindo o ônus econômico", declarou Canal.

Segunda onda

Na iminência de uma segunda onda da pandemia, conforme já ocorre nos Estados Unidos e na Europa, Mogi se prepara para ampliar os leitos destinados ao tratamento da Covid-19. Nos próximos dias, 20 novos leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) serão instalados no Hospital Municipal. Outros 30 leitos também serão disponibilizados na UnicaFisio para atender especialmente pacientes infectados com a doença.

*Texto supervisionado pelo editor.