Recurso no subsolo pode mudar captação de água no Alto Tietê

Extração da água deve ser feita de forma sustentável
Extração da água deve ser feita de forma sustentável - FOTO: Arquivo/Mogi News
O estudo que irá mapear as águas subterrâneas do Alto Tietê, a partir do primeiro semestre do ano que vem, irá revelar qual o real potencial hídrico da região, informou ontem o coordenador da Câmara Técnica de Agricultura do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) e secretário de Agricultura de Mogi das Cruzes, Renato Abdo.

Os recursos para o levantamento, oriundos da Fundo Estadual de Recursos Hídricos (Fehidro), será de R$ 1,5 milhão e terá acompanhamento feito pelo Departamento de Águas e Energia Elétrica (DAEE). Ainda segundo Abdo, o mapeamento poderá rever algumas regras para a captação de água. "Será possível solicitar a revisão das regras de outorga e estabelecer novas quantidades para captação de água na agricultura, de maneira sustentável, beneficiando a agricultura regional, mas sem trazer prejuízos para o meio ambiente e o para o abastecimento público".

O Condemat será o responsável pela contratação da empresa ou instituição que fará o levantamento. "Com este estudo, vamos verificar toda quantidade da água subterrânea existente e a melhor forma de extrai-la. Vamos identificar como este recurso pode ser utilizado pelas produções agrícolas, mas de uma maneira sensata, inteligente e equilibrada, sem exaurir ou prejudicar a fonte", explicou o secretário de Estado de Infraestrutura e Meio Ambiente, Marcos Penido, durante a comemoração de 10 anos do Condemat, realizado no Cemforpe, em Mogi das Cruzes, anteontem à tarde..

. Este é o segundo contrato assinado pelo consórcio com o Fehidro e terá custo zero para a entidade.

De acordo com a Secretaria de Agricultura, os trabalhos incluem investigação geológica, inspeção técnica nos poços, cadastros de poço e de propriedade rural e análise química. A cartografia será em duas escalas: Uma na escala 1:25.000 onde serão representados os temas de caracterização geral, compilação da geologia, feições tectônicas e estruturais, com apoio de geoprocessamento de imagens de satélite e outros recursos. Outra na escala 1:10.000 (ou maior) para as áreas onde serão realizados os estudos geológicos detalhados.

Resíduos sólidos

Ainda durante o evento, Penido também revelou que o Alto Tietê foi escolhido pelo Estado como a região piloto para receber a implantação de um novo modelo de combate ao descarte irregular de resíduos da construção civil. O projeto é desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira para Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição (Abrecon), e atualmente, está na etapa de diagnóstico. Ele contemplará ações de monitoramento, fiscalização integrada e reaproveitamento. A previsão é que elas sejam colocadas em prática no primeiro semestre de 2021. O trabalho desenvolvido será exemplo para outras regiões. 

 

REGIãO EM NúMEROS

Já chamado de "esquina do Brasil" pelo ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), o Alto Tietê possui alguns números de respeitos. Segundo levantamento do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), incluindo dados de Guarulhos e Santa Branca, cidades signatárias do consórcio, para os 10 anos da entidade, a região conta com aproximadamente 4,7 mil propriedades rurais, que juntas geram mais de 15 mil empregos. A agricultura é uma das principais atividades econômicas, a qual é responsável por 30% da produção de toda água que chega às casas dos paulistas e abriga a nascente do Tietê, principal rio do Estado.

Além disso, 12 os municípios do consórcio são responsáveis por gerar 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e 5% do PIB de São Paulo e, segundo o Ministério da Economia, a balança comercial em 2019 atingiu o patamar de US$ 2,5 bilhões. 

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