PS do Luzia só atenderá casos de urgência e emergência

Hospital em Mogi das Cruzes atende todo o Alto Tietê
Hospital em Mogi das Cruzes atende todo o Alto Tietê - FOTO: Arquivo/Mogi News
O anúncio de que o Hospital Luzia de Pinho Melo, em Mogi das Cruzes, passará a atender apenas casos graves de urgência e emergência em seu Pronto-Socorro (PS), não agradou o deputado federal Marco Bertaiolli (PSD) e pegou de surpresa o secretário municipal de Saúde, Henrique Naufel, que considerou a decisão como "inconsequente". A medida começa a valer terça-feira.

De acordo com o Estado, a mudança visa otimizar a estrutura e o funcionamento para garantir atendimento aos casos mais complexos como traumas, infartos, ferimento por arma de fogo e pacientes com quadro de Acidente Vascular Cerebral (AVC), também conhecido como derrame.

Para Bertaiolli, que esteve ontem com o vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB), a decisão é lamentável. "Não entendo como uma medida dessa está sendo adotada sem que os secretários de saúde do Alto Tietê estejam berrando, sendo contrários. Isso vai sobrar para as prefeituras e vai sobrar para os pacientes", disse o social democrata.

Já o secretário Naufel, afirmou que, em reunião antes do período eleitoral, expôs que Mogi e a região não estavam preparadas para o fechamento do PS. "Não é justo que uma cidade seja sobrecarregada por conta de uma atitude do Estado sem que Suzano, Itaquá, Ferraz, Guarulhos façam sua parte. Assim que todos estiverem estruturados, poderia pensar em fechar uma porta de atendimento em clínica médica. Do jeito que está, não", repudiou. "Falei que nós podemos até pensar, mas não aceitar, não nesse momento, da forma que foi feito", completou Naufel, afirmando que não tem conhecimento sobre essa mudança, apenas que havia essa intenção do governo.

O diretor clínico do Luzia, Luiz Carlos Barbosa, garantiu que a demanda gerada aos municípios por conta do fechamento do PS consegue ser suprida pelas unidades básicas municipais.

Segundo ele, a média de atendimentos de mogianos no Luzia de casos leves é de 123 pacientes ao dia, que terão de ser distribuídos entre as cinco unidades de saúde instaladas. "Não é de hoje que vem sendo estudado e planejado. Discutimos isso há cinco anos", disse o diretor. "A gente quer o atendimento certo no lugar certo. Isso vai melhorar o fluxo e vamos atender melhor os casos graves e de emergência", completou Barbosa.

Damasio

No mesmo sentido do representante da unidade de saúde, o deputado estadual Marcos Damásio (PL) considerou a medida como correta, por conta da possibilidade de eliminar a fila de espera por atendimento no PS. "Isso pressiona os municípios a investirem na melhoria do atendimento médico em suas unidades de saúde e até em sua expansão, o que beneficiará a população", definiu o parlamentar.

 

SECRETáRIOS SABIAM DA ALTERAçãO, DIZ CONDEMAT

A direção do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat) disse que a mudança no atendimento do Hospital Luzia de Pinho Melo não foi discutida no âmbito do consórcio e, sim, da Comissão Intergestora Regional (CIR), fórum para discussões exclusivamente técnicas da saúde e que congrega os representantes da Secretaria de Estado da Saúde.

O consórcio esclarece, ainda, que as condições técnicas que envolvem essa decisão foram tratadas pela direção do hospital com a Diretoria Regional de Saúde (DRS1) e pactuada com cada secretário municipal das cidades envolvidas, em especial com Mogi das Cruzes, que representa mais de 70% dos atendimentos.

O pacto pressupõe as condições técnicas de reorganização da rede de saúde - nas esferas estadual e municipais - para atender a demanda de pacientes com essa nova configuração. (F.A.)

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