Estado adia restrição no PS do Hospital Luzia para fevereiro

O governo do Estado de São Paulo adiou para 1º de fevereiro de 2021 a restrição do atendimento no Pronto-Socorro do Hospital Luzia de Pinho Melo apenas para casos graves e de urgência. 

Após pressão de políticos e a manifestação contrária de especialistas, a Secretaria de Estado da Saúde, responsável pela decisão, resolveu postergar a restrição que começaria a valer hoje, para que as prefeituras possam reorganizar suas redes de atendimento até o final de janeiro.

O governo confirmou que o adiamento se deu por solicitação dos gestores municipais de saúde. Isso significa que, até o final de janeiro, o Pronto-Socorro seguirá atendendo a demanda espontânea, assim como os casos levados à unidade por ambulâncias ou serviços de resgate ou Samu, bem como pessoas transferidas a partir de outros hospitais. Estes casos mais graves têm atendimento priorizado, como ocorre em qualquer serviço de saúde.

Segundo o Estado, a mudança prevista para o Luzia foi pactuada ao longo deste ano com todos os municípios do Alto Tietê. O vice-governador Rodrigo Garcia (PSDB) e o secretário da Saúde, Jean Gorinchteyn, atuaram para que se chegasse a este entendimento. Ao deputado federal Marco Bertaiolli (PSD), Gorinchteyn se mostrou contrário à decisão neste momento. O vice-governador também se comprometeu a analisar a solicitação.

A imposição para a restrição, de acordo com o governo, visa otimizar a estrutura e o funcionamento para garantir atendimento aos casos mais complexos como traumas, infartos, ferimento por arma de fogo e pacientes com quadro de Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Em entrevista após o anúncio da restrição, o diretor clínico do Luzia, Luiz Carlos Barbosa, garantiu que a demanda gerada aos municípios por conta do fechamento do PS consegue ser suprida pelas unidades básicas municipais.

O secretário de Saúde de Mogi, Henrique Naufel, se mostrou contrário à decisão neste momento afirmando que "do jeito que está" a medida era inviável. "Falei que nós podemos até pensar, mas não aceitar, não nesse momento, da forma que foi feito", disse Naufel, que afirmou não ter conhecimento sobre a alteração antes da notícia vir a público pela imprensa.

Quem também se manifestou contrário à decisão, agora de forma incisiva, foi o prefeito eleito Caio Cunha (Pode), em concordância com o posicionamento do secretário de Saúde de Mogi, Henrique Naufel, escolhido por ele para permanecer no comando da Pasta.

A reunião que decidiu pelo adiamento contou com a participação de representantes da Secretaria de Estado da Saúde, do Consórcio de Desenvolvimento dos Municípios do Alto Tietê (Condemat), Hospital das Clínicas Luzia de Pinho Melo e secretarias municipais de Saúde de Itaquaquecetuba, Mogi das Cruzes e Suzano.

"Solicitamos o adiamento porque estamos no meio de uma pandemia e com prefeitos novos assumindo a partir de 1º de janeiro. É o tempo para organizar melhor os esforços e para que esse realinhamento, com a baixa complexidade com os municípios e a média e alta complexidade com o Hospital Luzia funcione de forma eficaz e a população seja realmente beneficiada", analisou o prefeito Rodrigo Ashuichi, que representou o Condemat no encontro.

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