Relatório deve apontar Araújo envolvido em três processos

O relatório final da Comissão Especial de Inquértio (CEI) da Câmara de Mogi das Cruzes, que apura possível ato de corrupção de vereadores e irregularidades em contratos da Prefeitura, deve apontar que há indícios de que Mauro Araújo (MDB) possui envolvimento com os três esquemas de corrupção denunciados pelo Ministério Público (MP).

Enquanto a CEI caminha para concluir que há suspeitas de que Araújo tenha participado nos supostos esquemas, o grupo da Câmara também deve destacar que três parlamentares não possuem indícios de envolvimento na suposta corrupção.

Jean Lopes (PL), Carlos Evaristo (PSB) e Diego de Amorim Martins (MDB) sustentaram durante seus depoimentos que as transações com empresas ligadas a Araújo se tratavam apenas de empréstimos pessoais, argumento que não foi desconstruído no relatório da CEI. Isso significa que o grupo entende que os três parlamentares de fato não possuem envolvimento nos supostos esquemas de corrupção.

As informações foram passadas ontem pelo vereador Rodrigo Valverde (PT), membro do grupo. O relatório deve ser finalizado nos próximos dias, com o retorno dos vereadores Clodoaldo de Moraes (PL) (relator) e Pedro Komura (PSDB) (presidente), que estão afastados dos trabalhos por suspeita e confirmação para o coronavírus.

A denúncia da Promotoria aponta corrupção na Câmara, com a compra de votos para aprovação de leis encomendadas, em contratos com a Secretaria Municipal de Saúde de Mogi das Cruzes e com o Serviço Municipal de Águas e Esgotos (Semae).

Segundo a prévia do documento, o parlamentar Araújo matinha relação próxima com o empresário Joel Leonel Zeferino, que possuía interesse em alterar legislações para favorecimento próprio.

Em relação à aprovação de leis para favorecimento do empresário, o vereador Antonio Lino (PSD) também deve ser citado, por ter encaminhado leis à Câmara que beneficiariam empresários. Entretanto, o relatório deve informar que não há relação, nem conversas, que sustentem a tese de que Lino teria favorecido os empresários denunciados.

Já em relação ao contrato da Secretaria da Saúde, Araújo também deve ser apontado como suspeito, por ter mantido transações financeiras com o vereador e ex-secretário Francisco Bezerra (PSB). Apesar da CEI tender em considerar que Bezerra tem argumentos para rebater as denúncias do MP, a CEI deve pontuar que o MP precisa apurar a fundo a contratação da empresa Fundação ABC, gestora do Hospital Municipal de Mogi das Cruzes. Isso porque a empresa São Francisco, de Pablo Bezerra (filho do vereador Bezerra), é denunciada pela Promotoria pela suspeita de ter sido beneficiada por um acordo entre o Executivo mogiano e a gestora do HMMC.

Já em relação à contratação da empresa para realizar o controle de acesso no Semae, também alvo de denúncias do MP, o único dentre os vereadores investigados que a CEI deve apontar como suspeito é, novamente, Araújo, devido às conversas mantidas com a proprietária da empresa vencedora da licitação.

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